O delegado Maurício Demétrio Afonso Alves foi condenado a quase 10 anos de prisão, por envolvimento no esquema de propinas com comerciantes da Rua Teresa, em Petrópolis. A decisão, deferida na última quarta-feira (03), é do juiz Bruno Monteiro Rulière, da 1ª Vara Criminal Especializada no Combate ao Crime Organizado. O cumprimento da pena será em regime fechado. Ele também terá que perder a função de Delegado de Polícia Civil, bem como qualquer outra função pública.
Maurício Demétrio Afonso Alves foi preso no ano de 2021, na Operação Carta de Corso. De acordo com as investigações, Maurício comandava um esquema que cobrava propina de comerciantes da Rua Teresa, para que tivessem a liberação de vendas de itens falsificados. De acordo com a decisão do juiz Bruno Monteiro Rulière, Maurício usou sua posição e poder como autoridade policial para realizar as Operações Raposa no Galinheiro fases 1 e 2. Neste caso, ele foi acusado de obstrução da justiçam durante a operação, usando planos complexos, procedimentos fraudulentos e manipulação da mídia. O abuso de poder, inclusive, configurou no aumentou da pena, totalizada em nove anos, sete meses e seis dias.
Maurício Alves também é acusado de criar dossiês e investigar pessoas, incluindo autoridades públicas, utilizando consultas em bancos de dados públicos e privados. Consultas a conversas do delegado mostraram tentativas de criminalizar essas autoridades públicas, incluindo ‘flagrantes forjados’ de um delegado e do então candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, às vésperas das eleições.
As mensagens também apontavam que o réu também se orgulha de levar uma “vida de mensaleiro”, referindo-se ao escândalo do mensalão, um grande esquema de corrupção no país. Essas informações são respaldadas por áudios, onde Maurício dizia que estava “andando de jet-ski na minha vida de ‘mensaleiro’”. O então delegado de polícia também apareceu ironizando o assassinato da vereadora, Marielle Franco, fazendo comentários racistas e utiliza termos ofensivos para se referir a uma delegada.
A decisão da Justiça afirma que o acusado não admitiu os fatos criminosos, apresentando uma versão completamente diferente durante os interrogatórios. O documento diz que “diante das provas apresentadas, constatou-se que o delegado de polícia Mauricio Demetrio Afonso Alves ostenta um padrão de vida elevado, incompatível com a remuneração exclusiva de sua atividade lícita”.
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MPRJ obtém condenação de delegado e perda do cargo público por crimes de obstrução de justiça
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça junto às 1ª, 2ª e 3ª Varas Especializadas em Organização Criminosa obteve, no dia 04/01, a condenação do delegado Mauricio Demétrio Afonso Alves a nove anos e sete meses de prisão em regime fechado e perda da função pública pelo crime de obstrução de justiça. O delegado está preso desde 2021, quando foi alvo da operação “Carta de Corso”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ).
De acordo com a denúncia do GAECO/MPRJ, desde 2018 o delegado Maurício Demétrio, os policiais civis Celso de Freitas Guimarães Junior, Vinicius Cabral de Oliveira, Luiz Augusto Nascimento Aloise e Jose Alexandre Duarte; o comerciante Alex Sandro Gonçalves Simonete, Ana Cristine de Amaral Fonseca e Rodrigo Ramalho Diniz constituíram e integraram uma organização criminosa, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens econômicas mediante a prática de inúmeros e reiterados crimes. Comandada por Maurício Demétrio, a organização formada dentro da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) utilizava estrutura e recursos da Polícia Civil, incluindo armas de fogo e viaturas para desenvolver as atividades ilícitas.
A decisão da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital destaca que “o réu é um Delegado de Polícia, situação que, por si só, demonstra culpabilidade mais elevada. Cuida-se justamente de profissional incumbido de promover as investigações de crimes, sendo um paradoxo atuar no sentido de embaraçá-las. Pessoa em quem a sociedade deposita grande confiança e da qual muito espera em prol da Segurança Pública e de quem se espera exemplo, e não, comportamentos deploráveis como os verificados nos autos”. No dia 24/11, o GAECO/MPRJ denunciou o delegado Mauricio Demétrio e outras cinco pessoas pelo crime de falsidade ideológica. De acordo com o GAECO/MPRJ, o delegado recebeu 11 multas por infrações de trânsito no intervalo de 13 de abril de 2020 até 04 de maio de 2021. Em sete dessas 11 multas foram inseridas falsas declarações em relação ao nome do real condutor do veículo. As fraudes nas multas foram negociadas a R$ 500 cada.
Foto: divulgação