Empresas estão no protagonismo de crise que atinge transporte público em Petrópolis
O incêndio na garagem das empresas Petro Ita e Cascatinha, em Petrópolis, completou três meses nesta quarta-feira (09) e, até agora, segue sem respostas. Além disso, as viações estão no centro de uma grave crise que atinge o transporte público na cidade e que também abrange a todas as cinco permissionárias, com diversas reclamações de usuários. O reajuste da passagem, por exemplo, está judicializado.
O inquérito da Polícia Civil ainda não foi concluído e a corporação diz apenas que as investigações estão em andamento, sem dar muitos detalhes. Um laudo do Corpo de Bombeiros e uma perícia particular contratada pela Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) dão indícios que o incêndio foi provocado por ação criminosa.
Outro ponto é em relação aos veículos emprestados. A Prefeitura diz que 45 ônibus foram repostos desde o incêndio, contando com veículos próprios e trazidos de outras empresas. Segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus (Setranspetro), eles não possuem prazo estabelecido para a operação e serão devolvidos quando houver o restabelecimento completo da frota das empresas atingidas.
Problemas nos ônibus
Enquanto isso, a população enfrenta quebras, atrasos e precariedade no transporte, em todas as cinco viações. No último mês, por exemplo, um ônibus da Cascatinha teve problema na roda e quase provocou um acidente. Em duas ocasiões, na época em que a passagem seria reajustada para R$ 5,30, a reportagem do Correio da Manhã flagrou ônibus da Petro Ita quebrados.
Moradores ainda relatam a retirada e compartilhamento de linhas nas regiões do Alto da Serra, Bingen e Mosela. Estas duas últimas são atendidas pela empresa Cidade Real, que não foi atingida pelo incêndio.
Sobre o aplicativo, o Setranspetro disse que está implantando um novo App para a localização dos ônibus em tempo real, mais preciso e com funções diferenciadas. O aplicativo, segundo o sindicato, está em fase de ajustes, para o seu devido lançamento.
Além disso, os atrasos e poucos horários também são alvos de reclamações em todas as empresas. O aplicativo Vá de Ônibus, que poderia auxiliar a população a encontrar o seu ônibus via monitoramento por GPS e é divulgado pelo próprio sindicato das empresas (Setranspetro), está com problemas de funcionamento há, pelo menos, duas semanas.
Prefeitura quer aumentar passagem
Está nas mãos da justiça a decisão sobre o aumento da passagem no município, em meio a essa crise. Políticos entraram com ações para tentar barrar o reajuste. Uma ação popular chegou a ter decisão e fez com que o preço reduzisse, mas o governo municipal recorreu e agora aguarda a decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).
Enquanto o Tribunal não decide, vale o que determinou o juiz da 4ª Vara Cível, Jorge Martins. A passagem se mantém em R$ 4,95 no dinheiro e R$ 4,80 no cartão Riocard, já que o decreto do prefeito Rubens Bomtempo está suspenso até o dia 10 de setembro. Além disso, o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (Comutran) tem que fazer uma nova deliberação sobre o tema.
Apesar disso, o presidente da CPTrans, que acumula o cargo no Comutran, Thiago Damaceno, não informou na última reunião do grupo, na terça-feira (8), quando será feita a nova votação. A próxima reunião ordinária será no dia 11 de setembro.
“Nós necessitamos, através da decisão judicial, analisar as planilhas e um possível aumento ou não. Embora nossa posição seja que qualquer tipo de aumento na passagem seja incompreensível”, afirmou o conselheiro e representante da UJS, Guilherme de Freitas Gomes.
Quanto aos problemas, o Setranspetro informou que a operação do transporte público em Petrópolis “possui elevado índice de cumprimento de viagens, chegando a atingir até 99%, das mais de oito mil partidas programadas todos os dias”. Afirmou ainda que todas as operadoras estão investindo em renovação de frota, com ônibus zero quilômetro e seminovos, além do reforço no número de profissionais para o serviço de manutenção corretiva e preventiva.
A Prefeitura e a Polícia Civil não responderam até o fechamento desta edição.
Por Wellington Daniel/Foto: arquivo