No último dia três de agosto a Academia Petropolitana de Letras (APL), completou 101 anos. Fundada em 03/08/1922 por Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos, Dr. João Roberto d` Escragnolle e Reynaldo Chaves é a academia municipal mais antiga do país. Com publicações de grandes obras, adquiriu uma sede própria somente em 2023.
A fim de abordar a história da instituição e a representação em Petrópolis, o Correio Petropolitano Debate dessa terça-feira entrevistou Leandro Garcia, presidente da APL e Fernando Costa, diretor de relações públicas da instituição. Durante a entrevista foi abordado as atividades que a Academia realiza durante os 101 anos de existência.
Com mandato até 2025, Leandro Garcia está na segunda gestão à frente da presidência da APL e comenta sobre o desafio e a responsabilidade de gerir uma instituição com o histórico que tem a academia. “Nós celebramos na semana passada, mas temos que celebrar o ano todo, porque ela faz parte também da história de Petrópolis. Nós ressaltamos, inclusive, porque muitas pessoas acham que a academia é só para os acadêmicos, mas não, é um espaço aberto à população”, comenta.
Fernando Costa, comenta que a academia se mantém ativa em toda a história e com grande representatividade também por ter a primeira mulher em seu quadro. “A academia tem uma programação intensa, rica em atividades culturais, socias e bibliográficas. Ademais temos as noites de autógrafos, conferências e encontros acadêmicos. Além disso ela tem um ponto importante de ser a primeira academia a receber uma mulher a fazer parte do quadro. Nair de Tefé da Fonseca que, depois dela, vieram outras representatividades femininas a participar dos quadros.
A perseverança em meio a desvalorização
Com 101 anos a instituição se mantém com as anuidades e doações espontâneas “É uma responsabilidade muito grande em quesito material é muito difícil porque muitos acham que recebemos apoio da prefeitura ou verba pública, mas não. Esse ano nós conseguimos uma sede administrativa própria que foi doada pelo professor Paulo César dos Santos, e que nós temos que manter. Acredito que a população deveria abraçar mais a APL, porque manter 101 anos interruptos em pleno funcionamento, é algo raro”, explica, Leandro Garcia. Para Fernando, a falta de incentivo à cultura no Brasil, desencadeia o desinteresse da população pelo setor. “Não seria favor algum se nós recebêssemos dos órgãos, seja em qualquer esfera, subvenções para uma gestão digna e para que os projetos não fossem tão hercúleos, difíceis de serem realizados”, complementa.
A APL recebeu forte influência da Academia Francesa, criada no século XVII pelo Duque de Richelieu e de Fronsacque. Entre as influências, está o número de cadeiras na instituição. “O modelo francês é utilizado praticamente em todo o mundo, inclusive na Academia Brasileira. No momento nós temos duas vagas, devido ao falecimento do Fernando Magno e da troca de um membro titular que pediu ir para ir para o quadro de eméritos”, informa.
Acesso as vagas
De acordo com o presidente da APL, os critérios para assumir as cadeiras são simples e não necessariamente devem ser ligados à literatura. “O principal é ser destaque na sua área de atuação com publicações, produção intelectual e a participação ativa na cultura da cidade. As pessoas acham que somente poetas e aqueles ligados a produção literária podem assumir uma cadeira. Nós temos muitos juristas, médicos, jornalistas. Quando há a vacância, nós abrimos um edital e as inscrições são realizadas. Depois uma comissão é criada para avaliar os candidatos e depois uma assembleia é realizada para votar o candidato inscrito”, explica. De acordo com Leandro, uma assembleia deve ser realizada no mês de setembro para avaliar os candidatos as duas cadeiras vagas na instituição.
Por Richard Stoltzenburg