A peça aborda temas importantes da atualidade que vão desde questões raciais a violência contra mulheres
Por Leandra Lima
Histórias do passado se entrelaçam com o presente e ajudam a moldar a visão do mundo atual. Os costumes, a cultura, a política e a sociedade foram moldadas a partir dos estímulos criados a tempos atrás. O que se sabe hoje da época é retratado através de livros, filmes, peças teatrais, noticiais e por histórias contadas pelos antigos. Seguindo está linha de pensamento o espetáculo “Rádio Quitanda” que estreia nesta sexta (26) às 19h, no Centro Cultural Sesc Quitandinha, busca retratar os 80 anos do Quitandinha em uma viagem no tempo, utilizando músicas e notícias que rodearam o Brasil e a cidade de Petrópolis nessas oito décadas.
A peça conta a história do local usando duas passagens de tempo no enredo, sendo elas o presente, onde uma trupe teatral ensaia uma peça, e o passado, que contém notícias e músicas que fizeram sucesso ao longo desses 80 anos. Nessa junção de geração a trupe composta por dez atores: Ariel Barbosa, Carol Guerra, Dandara Claudino, Felipe Laureano, Igor Oggy, Leonardo Bastos, Letícia França, Mabi, Regina Guimarães e Renan Miranda e 4 músicos: Bruno Guimarães Cézar, João Pedro Gomes e Paulinho Peçanha, aborda temas importantes da atualidade como a luta pela valorização da negritude e o combate à violência doméstica sofrida pelas mulheres.
O espetáculo foi escrito pela atriz, cantora, diretora, autora e produtora teatral, Márcia Santos, e dirigido pelo o ator, cantor, bailarino, coreógrafo e diretor teatral, Édio Nunes. Os dois artistas compartilharam sobre o processo criativo por trás da peça, para Édio a rádio atravessa as épocas, as gerações, até hoje. “Estamos sempre ouvindo música. A música é universal, arrebata, o rádio é atemporal. É extremamente relevante considerarmos que Petrópolis é uma cidade que fomenta cultura, tem artistas talentosos e tem histórias maravilhosas para o país. O Brasil precisa conhecer o que foi o Quitandinha. Tudo isso corrobora para a história musical brasileira”, exclamou.
Já Márcia, contou que, para amarrar toda a trama, ela precisou encarar o desafio de colocar em pouco mais de uma hora os 80 anos do Quitandinha. “Surgiu então no processo a ideia da Rádio Quitanda, que serve de ligação entre a Kutanda e o Quitandinha”, diz. A escritora segue falando que a rádio é a ferramenta para o público localizar cada época no decorrer da peça, com notícias que marcaram cada tempo, como por exemplo a morte de Getúlio Vargas em 1954 e a criação do Palácio em 1972 onde o empreendedor visionário, Joaquim Rolla, fez coisas ousadas, como trazer de Hollywood a cenógrafa Dorothy Draper e descarregou toneladas de areia de Copacabana para construir uma praia artificial em volta do lago.
Para o elenco o desafio de representar diferentes décadas permite que eles experimentem diferentes horizontes, “Poder vivenciar essas experiências de outras décadas é muito bom, porque são coisas que a gente não vê normalmente e por conta da peça, a gente acaba pesquisando muito mais, e isso nos leva a conhecer histórias nunca antes vistas por nós mesmos” relatou, a atriz Dandara Claudino. Para seu companheiro de cena, Renan Miranda os encontros proporcionados pelo o espetáculo é um marco. “Encontrar e reencontrar algumas pessoas em cena e estar dividindo palco com essa galera é muito gratificante, ainda mais por serem todos artistas petropolitanos, se colocando em novos desafios”, disse.
O espetáculo faz parte da programação da exposição “Da kutanda ao Quitandinha – 80 anos” é composta por 6 núcleos, traçando um percurso que começa no século 18, com as primeiras referências da presença de negros na Freguesia de Nossa Senhora de Inhomirim, base do povoamento da região, por meio da navegação do rio Piabanha e das fazendas que exploravam o trabalho escravizado, que deu origem à cidade, até os dias de hoje.
A “Rádio Quitanda” conta com cenografia e adereços de Pryscila Dias; figurinos de Kildary Campos; iluminação e operação de luz por Tiago de Jesus; produção executiva e local, de S Gonçalves Oliveira Produções; coordenação de produção, por Panenka Realizações, Márcia Santos e Édio Nunes e técnico e operador de som: Luiz S. Junior.
Foto: fotos: Divulgação/ CWeA Comunicação