Por Gabriel Rattes
O avanço dos casos de influenza em Petrópolis acendeu um alerta entre autoridades de saúde e especialistas. Dados recentes divulgados pela Prefeitura mostram crescimento significativo das síndromes respiratórias, cenário que acompanha a tendência observada em todo o país, segundo a Fiocruz.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, somente em março de 2026 foram registrados 60 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com necessidade de internação — 56 casos a mais do que no mesmo período de 2025.
Internações
Entre os casos graves, a distribuição foi a seguinte:
* 17 casos de influenza
* 15 de Covid-19
* 25 de Rinovírus
* 3 de outros vírus respiratórios
Além disso, o município passou a contabilizar também os casos mais leves, ou seja, aqueles que não necessitam de internação. No mês de março foram 87 casos domiciliados de Covid-19 e 69 casos de Influenza.
Vacina abaixo da meta
Até o momento, em 2026, foram aplicadas 11.920 doses contra a influenza e 1.812 doses contra a Covid-19. A vacina está disponível em 33 unidades de saúde do município. O objetivo deste ano, segundo a Prefeitura, é vacinar 90% do público-alvo para, assim, reduzir complicações, internações e mortes causadas pelo vírus da gripe.
“O organismo leva em média duas semanas para criar a imunidade, por isso quanto antes se vacinar, melhor. Assim, quando chegar o período mais frio, quando as pessoas ficam mais confinadas, já estarão protegidas contra o vírus da gripe”, esclareceu a secretária de Saúde, Clarissa Rippel.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta que a vacina contra a influenza é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos pelo vírus. Portanto, ela reforça que é fundamental que a população de maior risco – como as crianças, idosos e pessoas com comorbidades, e também os grupos mais expostos, como profissionais de saúde – vacinem-se o quanto antes.
“Além disso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o VSR, garantindo a proteção dos bebês ao nascer. Também recomendamos que pessoas com sintomas de gripe ou resfriado permaneçam em casa em isolamento; caso isso não seja possível, o ideal é sair usando uma boa máscara”, destaca Portella.
Público alvo da campanha
Podem se vacinar: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, profissionais de saúde, gestantes, puérperas, professores do ensino básico e superior, povos indígenas, quilombolas, idosos com 60 anos ou mais, pessoas em situação de rua, profissionais das forças de segurança e salvamento, forças armadas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário urbano e de longo curso, trabalhadores dos Correios e portuários, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e jovens em medidas socioeducativas.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que o público prioritário leve documento de identificação, CPF ou Cartão do SUS e, se possível, a caderneta de vacinação. A lista completa com os pontos de vacinação está disponível no site da Prefeitura de Petrópolis. A lista completa das unidades de vacina está disponível no site da Prefeitura.
Cenário nacional
O alerta local está alinhado ao panorama nacional. Segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz, a influenza A continua com níveis elevados de incidência no Brasil, mesmo em regiões onde houve leve queda recente. Nas últimas semanas analisadas a Influenza A respondeu por 30,7% dos casos positivos de vírus respiratórios e foi responsável por 40,5% das mortes entre os casos.
Em 2026, já foram notificados 31.768 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 13.205 (41,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 12.678 (39,9%) negativos e cerca de 3.527 (11,1%) aguardando resultado laboratorial. O estudo também mostra que as crianças pequenas têm maior incidência de SRAG e idosos concentram a maior mortalidade, especialmente por influenza e Covid-19.
O estado do Rio de Janeiro apresenta sinal de crescimento de SRAG no longo prazo, embora ainda esteja em nível considerado de segurança. Mesmo assim, especialistas da Fiocruz alertam que o avanço gradual pode pressionar o sistema de saúde, principalmente com a chegada do inverno, período em que há maior circulação de vírus respiratórios.