O fluxo de encaminhamentos para fisioterapia, o atendimento a pacientes vítimas de acidentes com motocicletas, os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a falta de cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) em algumas regiões estão entre os principais desafios apontados no relatório do quadrimestre da Saúde de Nova Friburgo, apresentado na Casa Legislativa.
A coordenação do setor de fisioterapia, representada pela técnica Sandra Schuenck, informou que, apesar da implementação recente de um novo protocolo de encaminhamento, médicos da rede continuam prescrevendo sessões de fisioterapia por hábito, sem considerar a triagem, inclusive em casos de baixa complexidade.
“É justamente isso, como a gente implementou um novo protocolo agora e muitas vezes o médico tem um hábito já e vai seguindo aquilo, esquece que tem o protocolo a ser seguido. E o paciente também hoje tem a mentalidade ‘precisa da fisioterapia’. Então a gente precisa fazer uma reeducação para esses pacientes, para esses profissionais que fazem o encaminhamento, para que realmente utilize a fisioterapia de forma adequada para o seu bem, da sua saúde, para promover a sua saúde e para a sua recuperação”, disse a coordenadora durante a sessão.
Sandra também traçou o perfil dos pacientes que mais demandam o setor de reabilitação e os serviços especializados do município. Entre eles estão pacientes vítimas de acidentes com motocicletas, que necessitam de procedimentos pós-cirúrgicos e fisioterapia devido à gravidade e à recorrência de fraturas.
Também estão entre as demandas os pacientes com sequelas de AVC, que tiveram aumento no volume de acompanhamentos prolongados.
Outro ponto abordado pela equipe da Atenção Primária foi a carência de cobertura em bairros mais distantes do município.
A equipe destacou os limites da cobertura territorial das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da Estratégia Saúde da Família (ESF). Nesse contexto, o conceito de “vazio sanitário” foi utilizado para identificar regiões do município onde não há equipes de Saúde da Família.
Segundo a equipe, a ausência dessas equipes aumenta a demanda sobre as unidades que realizam o atendimento nessas áreas.
“As UBS precisam atuar como filtro direto para acolher a demanda dessas áreas desassistidas, organizando o agendamento prévio com clínicos gerais e viabilizando os encaminhamentos para médicos especialistas e exames laboratoriais descentralizados, e com isso o sistema fica sobrecarregado”, apontaram as técnicas.
Diante das demandas apresentadas, a equipe da Secretaria de Saúde também reforçou a proposta de criação de um programa municipal voltado à prática de exercícios físicos supervisionados para atender pacientes que atualmente são encaminhados para a fisioterapia, mas que não necessariamente precisam desse tipo de tratamento.
“Então às vezes tem encaminhamentos de pacientes: ‘ah, vai para a fisioterapia, precisa de musculação por uma osteopenia’. Não é esse o objetivo da fisioterapia. Em muitos casos realmente é necessário, mas a gente precisa estudar um outro projeto, que seria tipo ‘Academia da Saúde’, tá? É para proporcionar exercícios físicos para alguns pacientes, porque eles estão confundindo muitas vezes a fisioterapia com academia, entendeu?”, concluiu Sandra.