Por Gabriel Rattes e Johnnata Joras
O preço dos combustíveis continua subindo em Petrópolis e já pesa no bolso dos motoristas. Na terceira semana de março, o valor máximo da gasolina aditivada chegou a R$ 7,39, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Em apenas uma semana, o aumento foi de R$ 0,30. O preço médio da gasolina aditivada também subiu e alcançou R$ 7,06 — alta de R$ 0,11 em comparação com a semana anterior.
A gasolina comum seguiu o mesmo movimento. O valor máximo chegou a R$ 7,19, também com aumento de R$ 0,30. Já o preço médio foi de R$ 6,95, registrando alta de R$ 0,10 no mesmo período.
A gasolina aditivada costuma ter preço mais alto porque recebe compostos detergentes e dispersantes. Esses aditivos ajudam a limpar o motor e melhorar o desempenho do veículo, o que encarece o produto final.
Procon não encontra irregularidades
Diante da alta, o Procon Petrópolis realizou uma operação nos últimos 15 dias e vistoriou os 53 postos em funcionamento na cidade e nos distritos. Durante a ação, agentes analisaram notas fiscais de compra dos combustíveis para comparar os valores antes e depois dos reajustes feitos pelas distribuidoras. Foi identificado um aumento médio de cerca de 10% no custo de aquisição, que acabou sendo repassado ao consumidor.
Até o momento, nenhum posto foi autuado. Segundo o órgão, toda a documentação apresentada está compatível com os preços praticados, sem indícios de infração ao Código de Defesa do Consumidor.
As fiscalizações continuam de forma semanal e por amostragem, incluindo a verificação de bombas, transparência nos preços e qualidade dos combustíveis. Caso haja suspeita de aumento abusivo, pode ser aberto processo administrativo.
Etanol divide opiniões
Mesmo com a alta da gasolina, o etanol segue como opção para parte dos motoristas. Na terceira semana de março, o combustível teve preço médio de R$ 5,54 e máximo de R$ 5,69. Ainda assim, há divergência sobre a vantagem econômica. Enquanto alguns motoristas optam pelo etanol como alternativa, outros avaliam que o rendimento menor não compensa o preço mais baixo.
O autônomo Felipe Diniz criticou os preços praticados na Cidade Imperial. “É um dos lugares mais caros do Rio, se não for do Brasil. A gente fica meio à mercê do mercado. Tem que se ajeitar. Já começa o mês apertado. Agora é o mês todo. O etanol não compensa muito. Ele é mais barato, mas evapora mais rápido. Às vezes coloco um pouco, mas geralmente uso mais gasolina”, disse.
A enfermeira Fabiana Carvalho explicou que utiliza etanol como alternativa e mistura com gasolina aditivada. “Um absurdo. Chega final do mês, fica difícil. É muito complicado esses preços. Eu coloco sempre etanol como alternativa e boto um pouquinho de gasolina aditivada”, afirmou.
Edmilson dos Santos, que é mecânico, relatou impacto direto na rotina de trabalho. “Pelo percurso que a gente anda, é muito caro. Olha o trânsito como é que é. Fica muito difícil. A pessoa que vai trabalhar, ir e voltar, fica mais difícil ainda. Às vezes tem que botar etanol, senão fica muito pesado pra quem vai e volta todo dia de carro”, explicou.
O taxista Milton César Noel de Oliveira relatou a diferença de preço para outros locais. “Caro, parece que é um cartel. Os postos de gasolina aqui mantêm um preço único. No Rio de Janeiro a gente tem diferença de um real do combustível para Petrópolis, complicado.
Esse aumento tá ‘arrebentando’ com a gente. Tá difícil para nós taxistas trabalharmos.
Trabalho com etanol, porque às vezes tem um preço melhor”, enfatizou.
Tabela de preços (15 a 21 de março)
- Gasolina aditivada
Médio: R$ 7,06
Máximo: R$ 7,39
- Gasolina comum
Médio: R$ 6,95
Máximo: R$ 7,19
- Etanol
Médio: R$ 5,54
Máximo: R$ 5,69