Obra que desafia o imperativo da maternidade e da paternidade é reconhecida pela premiação mais tradicional da literatura brasileira
A decisão de não ter filhos ainda carrega, para muitas pessoas, o peso de julgamentos e expectativas que pouco têm a ver com a escolha em si. É a partir desse terreno que a psicóloga e pesquisadora Amanda Dantas, radicada em Petrópolis, constrói sua obra “Sem filhos, sem culpa! Uma análise sobre a decisão de não ter filhos”, agora selecionada para o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026.
No livro, Amanda Dantas propõe uma investigação sobre os fatores que atravessam a decisão de não ter filhos, como a simples ausência de desejo, o aumento da escolaridade feminina, a valorização da autonomia, as transformações nas dinâmicas de trabalho e carreira e os processos subjetivos que envolvem essa escolha em uma sociedade que historicamente tratou a maternidade e a paternidade como destinos naturais da vida adulta. A obra também examina as diferenças de gênero nesse processo: enquanto homens relatam menor pressão social, mulheres seguem enfrentando expectativas culturais que associam fortemente sua identidade à maternidade.
Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pesquisadora no Laboratório de Estudos sobre Violência contra Crianças e Adolescentes (LEVICA), participante do Fórum do Campo Lacaniano da Região Serrana do Rio de Janeiro, Amanda é também jornalista, pós-graduada em Marketing Estratégico pela Escola Superior de Propaganda e Marketing.
A seleção para o Jabuti Acadêmico 2026 reafirma a relevância de uma discussão que, longe de ser restrita ao ambiente acadêmico, diz respeito à vida de muitas pessoas, e que agora encontra, também na literatura, o espaço que merece. Criado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti foi instituído em 1959 e se consolidou como a mais tradicional e prestigiada premiação literária do Brasil, reconhecendo anualmente obras que se destacam pela contribuição intelectual, cultural e científica. Ao longo de décadas, o prêmio tornou-se uma importante vitrine para autores, pesquisadores e editoras, valorizando a diversidade da produção editorial brasileira.
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