Por Gabriel Toledo
O Fórum Itaboraí promoveu na última sexta-feira (22) um encontro voltado à discussão da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), no Palácio Itaboraí, em Petrópolis. O evento fez parte das comemorações pelos 125 anos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e também do centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos.
A programação reuniu pesquisadores, representantes de instituições e lideranças sociais para debater temas ligados ao desenvolvimento sustentável, desigualdades sociais e os desafios enfrentados por cidades como Petrópolis. Entre os assuntos discutidos estiveram mobilidade urbana, saneamento básico, ocupações em áreas de risco, impactos das chuvas e acesso a serviços públicos.
Segundo o diretor do Fórum Itaboraí, Félix Rosenberg, o trabalho desenvolvido pelo espaço busca aproximar as comunidades das discussões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU.
“Todo o nosso trabalho nos territórios é estando em cima, junto das comunidades para identificar os maiores desafios e problemas que cada comunidade tem, todos enquadrados nos ODS, e junto das comunidades nós trabalhamos as propostas”, afirmou.
Objetivos
A Agenda 2030 reúne 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e estabelece metas globais relacionadas ao desenvolvimento econômico, social e ambiental até o ano de 2030. A proposta prevê a integração entre governos, instituições e sociedade civil na construção de soluções para problemas como pobreza, desigualdade e acesso à saúde.
Durante o encontro, uma das mesas discutiu justamente como essas metas podem ser aplicadas na realidade local. Em Petrópolis, questões como transporte público, lixo e saneamento básico apareceram entre as principais demandas apontadas pelas comunidades.
“O tema da mobilidade urbana é central. Quando você vai a uma comunidade e pergunta quais são os principais desafios enfrentados, raramente vão falar de doenças. Normalmente eles falam de pelo menos três desafios centrais: mobilidade urbana, lixo e saneamento básico”, destacou Félix Rosenberg.
Temas
A primeira mesa do evento teve como tema “Agenda 2030: do macro ao micro” e contou com a participação de Paulo Gadelha, coordenador da Agenda Estratégica da Fiocruz para a Agenda 2030, de Rômulo Paes, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), além de Félix Rosenberg.
Durante o debate, Paulo Gadelha destacou que as metas globais precisam considerar as realidades locais e as populações em situação de vulnerabilidade.
“Esse macro só faz sentido se nós pensarmos em um dos lemas da Agenda 2030, que é não deixar ninguém para trás. Nós olhamos o ponto de vista universal, a integração dos ODS, mas também precisamos pensar no micro”, afirmou.
Já Rômulo Paes ressaltou a necessidade de cooperação entre os países para enfrentar desafios globais.
“O desafio principal é recuperar o espírito de cooperação dos países. É recuperar o trabalhar de forma conjunta para enfrentar os problemas que não são de um só país, mas de todo o planeta”, disse.
Os debates também dialogaram com o legado de Milton Santos, referência nos estudos sobre território e desigualdades socioespaciais. A proposta foi discutir como políticas públicas podem considerar as características de cada território e reduzir vulnerabilidades sociais.
“Nós estamos homenageando, reverenciando, atualizando e revitalizando todo o referencial do Milton Santos. A ciência precisa estar próxima da população para diminuir o quadro de vulnerabilidades sociais que temos tanto em Petrópolis quanto em todo o mundo”, afirmou Paulo Gadelha.
Em Petrópolis, cidade marcada historicamente pelos impactos causados pelas chuvas e pela ocupação desordenada, os participantes defenderam a necessidade de aproximar a população das discussões ligadas à Agenda 2030 e transformar metas globais em ações práticas no cotidiano da cidade.