Por: Gabriel Rattes
A CPI da Tragédia de Petrópolis, instalada pela Alerj, aprovou na quinta-feira (2) a quebra do sigilo bancário das contas do ex-secretário estadual de Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi (Solidariedade), e do ex-prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo (PT). A medida integra as primeiras diligências da comissão, que investiga a aplicação dos recursos destinados à reconstrução da cidade após a tragédia climática de fevereiro de 2022, além da execução de obras e ações de prevenção.
A quebra de sigilo foi autorizada durante a segunda reunião da CPI, pouco mais de uma semana após a instalação do colegiado. Na reunião inaugural, os deputados já haviam aprovado a convocação de Bernardo Rossi, do ex-secretário estadual de Obras Uruan Cintra, do ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere, e do atual secretário estadual de Infraestrutura e Obras, Raul Fanzeres.
Sobre a aplicação dos recursos destinados à reconstrução do município, Yuri afirmou que faltou transparência por parte da administração municipal da época. “Ao mesmo tempo, o prefeito Rubens Bomtempo anunciou reiteradamente que utilizaria os recursos destinados pela Alerj para uma série de ações importantes. No entanto, não houve a transparência necessária sobre a aplicação desses recursos. Sou, inclusive, autor de uma lei municipal (8.351/2022) que determinava a divulgação dos gastos relacionados à tragédia, mas essa lei jamais foi cumprida”, afirmou o deputado.
Yuri também afirmou que o cronograma das obras executadas pelo governo municipal não respeitou uma ordem de prioridade voltada à reconstrução e à prevenção. “O resultado é que Petrópolis, seja por omissão do Governo do Estado, seja por falhas da Prefeitura, ainda possui diversos locais marcados pelas cicatrizes da tragédia, onde as intervenções necessárias sequer foram realizadas”, finalizou.
Procurados pela reportagem, Bernardo Rossi e Rubens Bomtempo contestaram a decisão da CPI. O ex-secretário estadual afirmou, por meio de sua defesa, que sempre atuou “de forma transparente e dentro da legalidade”, disse estranhar a adoção da medida em relação a fatos de mais de quatro anos, às vésperas do período eleitoral, e sustentou que a gestão e a execução dos recursos mencionados pela comissão eram de responsabilidade da Prefeitura.
Já Bomtempo afirmou ter recebido a decisão “com indignação”, alegou abuso de autoridade por não ter sido intimado previamente para prestar esclarecimentos, destacou que as contas relativas aos recursos enviados pela Alerj foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e informou que adotará as medidas judiciais cabíveis, sustentando ser alvo de perseguição política.