Diante da audiência pública que o vereador Léo França organizou nesta quarta-feira (8) para tratar de questões de habitação em Petrópolis, focando na construção de moradias populares para as pessoas beneficiadas pelo aluguel social, destacando a aprovação do Projeto nº 6520/2022 que visa a criação do parque municipal do Caititu que de acordo com ele inviabiliza a construção de moradias populares no terreno, moradores do bairro caititu se manifestaram reforçando que a área onde o Parque será instaurado possui vasta diversidade ambiental.
O terreno em questão é o do Sítio São José que possui 50 mil metros quadrados e abriga nove nascentes, lagos, vida ecológica ativa, além de possuir uma bacia que recolhe as águas do entorno evitando o aumento do despejo do rio caititu no rio Piabanha, segundo o Comitê Piabanha se caso as construções ocorram poderão prejudicar a harmonia ambiental do local, e o volume do rio caititu futuramente pode ser um agravante para os problemas das enchentes na Estrada União Indústria, em Corrêas, para o comitê a área demanda proteção ambiental.
Os moradores vêm se engajando na questão junto ao comitê e criaram um abaixo assinado titulado como “Manifestação para proteção das nascentes do Vale do Caititu e criação do Parque Natural do Carangola e Caititu”, uma das líderes da ação Naíla Pinheiro conta que na região existem muitas plantações orgânicas que são abastecidas pelas nascentes do sítio e também aponta que os moradores estão a muito tempo tentando mostrar ao poder público a inviabilidade de se criar um conjunto habitacional na área mencionada, não apenas pelo meio ambiente mas também pela falta de infraestrutura para receber muitas famílias já que no bairro se tem uma carência de transportes, educação e saúde.
Naíla deixa claro que os moradores dos bairros Caititu e Carangola não são contra os projetos habitacionais populares e que sabem que há uma falta de políticas públicas voltadas a essa questão no município. Ela ainda reforça que esta luta é pelas vidas pois é necessário se fazer moradias em locais seguros – “O que estão fazendo é incentivar a construção de mais uma tragédia. Será que não percebem que construir num terreno com 9 nascentes e um rio subterrâneo é insano, é impossível conter a força da natureza, Casas devem ser construídas em locais com segurança e infraestrutura, prédios precisam de base sólida, aqui no sítio do Caititu não tem, o que seria necessário.” – Naíla umas das líderes da ação de proteção do Parque Municipal do Caititu.
A líder do projeto aponta os diversos problemas no conjunto habitacional do Vizenzo Rivetti entregue às vítimas de tragédias, foi construído em cima de um brejo e está passando por diversos problemas como rachaduras em paredes, buracos, vazamento de esgoto o qual o mesmo se deságua no rio caititu, infiltrações entre outros, em cima desta situação levanta-se a questão de que o poder público municipal deseja entregar “moradias seguras” sem ter o mínimo de estudo dos terrenos tirando a possibilidade da segurança habitacional, o famoso fazer por fazer.
Sobre a audiência pública Naíla e os moradores não vão comparecer ao evento pois para eles será uma discussão insana com quem usa a política em benefício próprio, e reforçam que estão nessa luta pela vida humana, pois são pessoas que vão e estão correndo o risco de ter seus sonhos da casa própria desabarem na construção em locais impróprios apenas para satisfazer políticas públicas irresponsáveis e políticos eleitoreiros, não vamos dar público pra quem não respeita o povo.
por *Leandra Lima/Imagem: comitê Piabanha