Nesta terça-feira, dia 8 de agosto, uma audiência pública foi realizada na Câmara dos Vereadores de Petrópolis para discutir a construção de moradias populares aos beneficiários do Aluguel Social. Durante a audiência, os vereadores falaram sobre a importância de que seja dada celeridade à projetos habitacionais. Com repetidas tragédias, o município de Petrópolis ainda enfrenta um déficit habitacional de 12 mil unidades. Segundo dados do movimento do Aluguel Social e moradia de Petrópolis, são aproximadamente 3.700 famílias atingidas pelas chuvas em diversos anos, aguardando uma nova casa.
A assessora da coletiva feminista, apontou que o aluguel social é apenas uma medida provisória e não definitiva. “Quando a gente pensa em Aluguel Social, pensamos que ele existe para suprir uma necessidade da população e tem um caráter assistencialista. Não é para ser para a vida toda e sim por um período, para atender as pessoas atendidas por calamidades e tragédias e foram removidas de suas casas”, disse Esther Guerra.
A questão das moradias populares já é debatida há muitos anos, sem resolução. Antes mesmo das chuvas de 2022, o Governo do Estado apresentou, no ano de 2021, projetos para a construção de 350 unidades residenciais em terrenos na Mosela, Benfica e Vale do Cuiabá. No entanto, esses projetos ficaram sem a atenção municipal por anos.
Outro terreno que foi desapropriado em 2013 para a construção de 800 unidades habitacionais, está na região do Caititu, em Corrêas. O terreno em questão é o do Sítio São José que possui 50 mil metros quadrados. Há um projeto para a construção de um parque ecológico na região, para evitar que as moradias sejam construídas. No entanto, durante a audiência desta terça-feira, Manoel Francisco, que esteve presente representando dos moradores do Caititu, criticou este grupo que é contra a construção de moradias no local, defendendo o projeto habitacional. “Com a chegada das casas nós vamos ter a nossa luz, água na porta. Quem está brigando contra já tem água, luz e carro e não depende de moradia. Deixa fazer as casas. São sete nascentes d’agua em um terreno que é imenso. Dá para fazer as casas e o Parque Ecológico”, disse.
O vereador Mauro Peralta também falou sobre o condomínio Vicenzo Rivetti que é, constantemente alvo de críticas. Além disso, para o parlamentar, os moradores da cidade deveriam ter o direito de conseguirem moradias nas regiões em que viviam anteriormente, sem a necessidade de se mudarem para outras regiões. “É muito importante que a gente consiga lugar para as pessoas morarem. Nós temos um problema terrível que é o Vincezo Rivetti, que acabou com o bairro do Carangola. Conjunto enorme e sem estrutura. Quando você tira alguém da região onde ela estava acostumada, você destrói a vida dela. A pessoa tem que recomeçar a vida do zero, do nada”, disse o vereador.
Representando o Governo Municipal, o Secretário de Defesa Civil, Gil Kempers esteve presente na audiência pontuando as ações da prefeitura e informou que muitas casas estão sendo desinterditadas, além de obras que estão em andamento. Segundo o secretário, o governo municipal está trabalhando com a prevenção e destacou que, com o histórico da cidade, novas tragédias podem acontecer. “Quem garante que não vai acontecer de novo? A gente vê o agravamento das mudanças climáticas e a evolução desse quadro”, disse.
Por Raphaela Cordeiro/Foto: arquivo TVC