A Academia Petropolitana de Letras completou 101 anos de existência, nesta quinta-feira(3). Fundada em 1922, a instituição tem desempenhado um papel fundamental, na promoção da literatura e das artes na região. A festividade de aniversário foi marcada por uma programação especial que contou com sessão solene no Palácio de Cristal, anúncio de inauguração da nova sede administrativa e missa em ação de graças.
A instituição, uma das primeiras academias de letras do Brasil, surgiu em um momento de renovação artística no país, impulsionadas pela Semana de Arte Moderna, em São Paulo. A APL teve um papel pioneiro ao admitir mulheres, desafiando padrões conservadores e permitindo que escritoras femininas se destacassem, em um cenário predominantemente masculino.
Leandro Garcia, presidente da APL, ressaltou a importância do espaço para a divulgação cultural na cidade. “Cultura no Brasil é um assunto complicada e o fato de uma instituição cultural estar em funcionamento há mais de cem anos já mostra o potencial dela e a relevância para a cidade. A APL se tornou testemunha da história da cidade. É importante que uma academia venha publicar muitas obras e isso temos feito de forma incansável ”, disse Leandro.
Com a missão de enriquecer a cena literária, o espaço promove atos públicos como lançamentos de livros, palestras, debates, concursos literários, envolvendo estudantes das escolas públicas e a organização de obras que contam a história da cidade. Atualmente, a academia conta com 40 cadeiras, seguindo o modelo francês, mas duas delas estão vazias. Em setembro será realizada uma assembleia para nomear os novos membros. O edital será lançado em breve.
Após mais de três décadas de funcionamento, na casa Cláudio de Souza, cedida pelo museu imperial, a APL contará agora com uma sede própria, para guardar toda documentação, arquivo e biblioteca, no edifício pio XII, na Rua Marechal Deodoro, 119, no Centro de Petrópolis que será inaugurada neste sábado, às 11h. O novo espaço também vai democratizar o acesso à biblioteca, que conta com mais de 3 mil documentos, cartas, atas de sessões da academia, recortes de jornais históricos de Petrópolis e fotografias, abrindo as portas para pesquisadores e o público interessado. “Nunca tivemos um imóvel próprio. O espaço aqui é cedido para as quatro academias da cidade e temos uma sessão de uso. No ano passado ganhamos uma sala comercial que transformamos na nossa sede administrativa e será inaugurada no próximo sábado”, conclui.
Larissa Martins – imagem: Marlus Renato