Projeto “Tulongoka Ngo” é voltado para crianças e mulheres em situação de vulnerabilidade
“Quem faz o bem, recebe o bem”, esse ditado popular é utilizado para expressar a reciprocidade de uma ação. Estender a mão para alguém é algo cultivado universalmente, principalmente na cultura africana, que tem um termo que representa bem esse contexto, “Ubuntu”, que significa ‘eu sou, porque nós somos’, enfatizando a solidariedade entre as pessoas, destacando que a humanidade só funciona se todos estiverem conectados, realizando algo em conjunto para um bem comum.
A ideologia pode ser resumida em um exemplo prático, que vai levar a escritora carioca, que é petropolitana de coração, Angélica Paes, até o continente africano, especificamente Angola, onde realizará ações sociais para as comunidades Kinguela 2 e Kididi, zonas que apresentam vulnerabilidade extrema, através do Projeto “Tulongoka Ngo”, que significa ‘Vamos aprender só’. Um dos propósitos da organização é tirar mulheres e crianças do analfabetismo.
Conexão
A escritora conheceu o projeto por meio do organizador Kitolongo Mota, um jovem angolano de 30 anos, conhecido por transformar comunidades através de projetos sociais. Como mentor e coordenador, ele trabalha com mulheres dos 20 aos 65 anos, apoiando-as em alfabetização e orientação socioprofissional.
Os dois foram apresentados por intermédio de um amigo brasileiro de Kitolongo, que os conectou e, a partir desse momento, surgiu a oportunidade. Angélica contou que o projeto é importante e faz parte de um dos momentos mais importantes para ela, pois foi premiada em Angola pelo livro “As Periféricas – A transformação na periferia pelo poder da literatura”.
“O projeto é muito importante para mim. Estou fazendo uma missão junto com a ‘Missão Filadélfia’, do pastor Eduardo, de Petrópolis. Então, como faço sempre esse trabalho missionário, juntei a premiação do livro e vou fazer um trabalho literário de superação”, disse.
Superação ilustra a trajetória da escritora Angélica Paes, que enfrentou e superou diversas barreiras desde criança por ser portadora do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e do distúrbio de aprendizagem conhecido como dislexia.
“Vou estar ali mostrando para aquelas crianças que não é a pobreza e as nossas dificuldades que vão impedir a gente de conseguir algo. Precisamos persistir, insistir e confiar nos sonhos e em Deus”, afirmou.
Projeto
Atualmente, Kitolongo Mota, precursor do “Tulongoka Ngo”, lidera mais de 60 mulheres em comunidades carentes, promovendo empoderamento e desenvolvimento sustentável. Além disso, também atua com crianças nas comunidades, apoiando iniciativas de educação e desenvolvimento infantil.
“Busco oportunidades para expandir meu impacto e colaborar com organizações internacionais que compartilham minha visão. Estou aberto a parcerias e projetos que promovam igualdade de gênero, desenvolvimento comunitário e direitos das crianças”, contou Kitolongo.
Além disso, destacou que aguarda a ida de Angélica ao território. E ressaltou que o projeto tem um impacto positivo na comunidade, destacando a força feminina. “Quando capacitas uma mulher, capacitas uma família inteira. Quando alfabetizamos uma criança, interrompemos o ciclo da pobreza”, enfatizou.
Por Leandra Lima/Foto: Arquivo/ Kitolongo