A escrita de Sandra Brito é uma ferramenta social capaz de ultrapassar fronteiras
Fronteira é considerada um limite e um divisor. Apesar dessas linhas criadas ao redor do mundo, desde a Antiguidade existem sentimentos, ações e ferramentas sociais que ultrapassam essas barreiras, como a escrita, que desperta o pensamento crítico e a sensibilidade perante a vida. Nesse sentido, a escritora petropolitana Sandra Brito é um exemplo de que não há fronteiras para a literatura ao receber, no último dia 15 de maio, o Prêmio Pan-Americano de Literatura, em Cartagena das Índias, concedido pela TV Cultural da Colômbia e pela Associação Internacional de Academias Literárias a escritores de destaque da literatura latino-americana.
Além da premiação, Sandra, que também é professora e jornalista, participou, a convite da Câmara Brasileira do Livro, do lançamento da antologia bilíngue Nuances Caribenhas, que conta com um poema da autora. Essa não é a primeira participação em uma obra coletiva. A escritora, em conjunto com outros autores brasileiros, lançou em 2025 a coletânea “Cantos do Brasil”, com textos inéditos sobre a diversidade e a pluralidade sociocultural do Brasil, durante a Semana Cultural Brasil-Romênia.
Portas abertas
O escritor é a pessoa que utiliza as palavras para comunicar e expressar ideias que ganham vida na produção, o que dá peso às palavras carregadas de significados e poder de transformação do meio social. Sandra acredita nesse contexto e as últimas premiações a fizeram reafirmar o quanto a literatura é abrangente.
“Chegar a essas premiações internacionais tem sido uma experiência muito simbólica para mim, especialmente por ser uma escritora brasileira, petropolitana, que acredita profundamente no poder transformador da palavra. Ver meus livros circulando em outros países, sendo traduzidos e debatidos em eventos internacionais, é algo que ultrapassa o reconhecimento pessoal: é também uma forma de valorização da nossa literatura e da cultura latino-americana”, disse a literária.
Conquistas
A autora é conhecida por obras de caráter histórico, como “O tom confessional e autobiográfico na epistolografia de Machado de Assis”, repercutida na Europa, e também por trabalhos reflexivos, como “A experiência exílica da poesia”, que explora vivências de poetas exilados e os sentimentos que permeiam esse universo. Ela tomou posse no Núcleo de Letras e Artes da Romênia, sendo empossada como membro imortal.
Também foi premiada com o troféu “Personalidade do Ano” durante a Feira Mundial do Livro de Frankfurt, onde lançou uma coletânea bilíngue sobre a “Fauna Brasileira”, no estande da Câmara Brasileira.
“Grande parte dessas indicações e premiações nasce justamente da circulação internacional dos meus textos. Meus livros vêm sendo traduzidos, e eu tenho participado de diversas coletâneas publicadas fora do Brasil, em diferentes idiomas. Isso faz com que meu trabalho alcance novos leitores, críticos, academias literárias e instituições culturais de vários países”, comentou Sandra.
As obras da literária vêm tendo destaque internacional. Segundo Sandra, o fenômeno vem ocorrendo desde o lançamento da obra “O tom confessional e autobiográfico na epistolografia de Machado de Assis”, publicada em Portugal e traduzida para diversos idiomas.
“O reconhecimento veio por meio de convites para eventos e premiações, no Brasil e no exterior, como a Feira Mundial do Livro de Frankfurt, a London Book Fair, a Feira do Livro de Bolonha e a Feira do Livro de Lisboa”, contou.
A literária tem outros dotes, também é apresentadora, colunista e roteirista, e já participou de inúmeras coletâneas em diferentes línguas. A trajetória de Sandra também é marcada pela posse em academias literárias. Além da Romênia, também integra academias na Itália, em Brasília, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e na Bahia. Ainda este ano, a autora receberá a Comenda Castro Alves, em Salvador, e o Prêmio Personalidade Magnífica, do Tricentenário de Fortaleza.
Para ela, a literatura continua sendo uma poderosa ponte entre culturas e pessoas. “É emocionante perceber que poemas e reflexões escritos no Brasil conseguem ecoar em leitores de culturas tão diferentes. Penso que a literatura tem exatamente essa força: ela parte de experiências íntimas, mas toca algo universal. E acredito que é dessa conexão que surge todo esse reconhecimento. A literatura abre portas que nunca bati”, expressou.
Por Leandra Lima/Arquivo/ Sandra Brito