O mês de agosto ganhou, oficialmente, uma nova mobilização voltada à saúde pública. Instituído pela Lei nº 15.207/2025, o Agosto Branco passa a integrar o calendário nacional como a campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão, com o objetivo de informar a população sobre os fatores de risco, os sinais de alerta, a importância do diagnóstico precoce e o acesso aos serviços especializados. A iniciativa chama atenção para uma doença que permanece entre os maiores desafios da oncologia, sendo uma das neoplasias mais incidentes no Brasil e a principal causa de morte por câncer em todo o mundo.
Apesar dos avanços no tratamento, o câncer de pulmão ainda é frequentemente descoberto em estágios avançados. Isso acontece porque, na maioria dos casos, a doença evolui de forma silenciosa, sem provocar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem, manifestações como tosse persistente, presença de sangue ao tossir, dor no peito ou nas costas, falta de ar, rouquidão e perda de peso sem explicação costumam indicar que o tumor já atingiu um estágio mais avançado.
Para o médico oncologista Diego Machado, a conscientização é uma das ferramentas mais importantes para mudar esse cenário. “O maior desafio do câncer de pulmão é justamente o diagnóstico tardio. Muitas pessoas procuram atendimento apenas quando os sintomas já comprometem a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de tratamento curativo e de preservação da qualidade de vida do paciente”, explica.
O principal fator de risco continua sendo o tabagismo, responsável por aproximadamente 90% dos casos da doença. O risco está relacionado não apenas ao cigarro convencional, mas também ao consumo de charutos, cachimbos e cigarros eletrônicos. Além disso, pessoas expostas regularmente ao fumo passivo também apresentam maior probabilidade de desenvolver o tumor.
Outros fatores, como a exposição ao gás radônio, à poluição atmosférica, ao amianto e a determinadas substâncias químicas presentes em ambientes de trabalho, também contribuem para o aumento da incidência, assim como o histórico familiar.
Nos últimos anos, especialistas têm observado uma mudança no perfil dos pacientes. Embora o tabagismo permaneça como a principal causa da doença, cresce o número de diagnósticos em pessoas que nunca fumaram, reforçando a influência de fatores ambientais, genéticos e ocupacionais.
Segundo Diego Machado, esse cenário amplia a necessidade de atenção aos sintomas, independentemente do histórico de tabagismo. “É um equívoco acreditar que apenas fumantes desenvolvem câncer de pulmão. Embora o cigarro seja o principal fator de risco, qualquer sintoma respiratório persistente merece investigação médica. O diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado para aumentar as chances de sucesso no tratamento”, destaca.
Além da prevenção por meio da cessação do tabagismo, o rastreamento também desempenha papel fundamental para pessoas de maior risco. Atualmente, sociedades médicas recomendam que fumantes e ex-fumantes com mais de 50 anos e histórico importante de consumo de cigarros realizem, anualmente, a tomografia computadorizada de baixa dose, exame capaz de identificar pequenos nódulos antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer de pulmão apresenta índices de cura que podem ultrapassar 90%, especialmente quando o tratamento é iniciado rapidamente. Para os especialistas, essa realidade reforça a importância de campanhas como o Agosto Branco, que buscam não apenas incentivar hábitos mais saudáveis, mas também combater o desconhecimento e estimular a população a procurar avaliação médica diante de qualquer sinal persistente.
Para Diego Machado, a informação continua sendo uma das principais estratégias de enfrentamento da doença. “O Agosto Branco é um convite para que a sociedade fale mais sobre câncer de pulmão, abandone preconceitos relacionados ao diagnóstico e compreenda que prevenir, reconhecer os sinais e buscar atendimento rapidamente pode fazer toda a diferença na vida de milhares de pessoas”, conclui.