Por Richard Stoltzenburg
A Prefeitura de Petrópolis prorrogou até 6 de janeiro de 2027 o prazo para que hospitais e empresas solicitem credenciamento para a contratação de 70 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto. A decisão foi tomada após a Secretaria Municipal de Saúde informar que não recebeu nenhum requerimento dentro do período inicial, encerrado em 8 de outubro. O objetivo é ampliar a participação de possíveis prestadores e atender à demanda por internações de alta complexidade.
O chamamento público prevê investimento estimado em R$ 293,8 milhões ao longo de cinco anos. O valor de referência é de R$ 2,3 mil por diária de leito, com custo anual estimado em R$ 58,7 milhões. O credenciamento busca complementar a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), diante da insuficiência de leitos próprios apontada pela própria Prefeitura.
Segundo o edital, o município registrou média de 24 pacientes aguardando internação em UTI adulto tipo II entre 9 de junho e 8 de julho de 2026. Os leitos contratados deverão funcionar 24 horas por dia, com equipe especializada, e serão acessados por meio da Central Municipal de Regulação. Hospitais de Petrópolis terão preferência, mas unidades de outros municípios poderão participar, desde que cumpram os requisitos previstos.
Filas e impasse do antigo HCC
A prorrogação ocorre em meio a outros desafios da saúde pública municipal. Na audiência realizada na Câmara de Petrópolis em 30 de setembro, para apresentação do relatório do segundo quadrimestre de 2026, a Secretaria de Saúde informou que, ao fim de agosto, havia 31.749 solicitações de consultas e 27.215 de exames aguardando atendimento. O total de solicitações acumuladas passou de 254.632 no primeiro quadrimestre para 286.276 no segundo, aumento de cerca de 12%.
Entre as especialidades, ortopedia e traumatologia lideravam a fila de consultas, com 6.088 solicitações, seguida por dermatologia, com 6.071. Nos exames, o maior represamento era de ecocardiogramas transtorácicos, com 13.670 pedidos. A Secretaria informou que intensificou a organização das filas e busca novos prestadores por meio do programa Agora Tem Especialistas.
Outro ponto debatido foi a situação do antigo Hospital Clínico de Corrêas (HCC). Na audiência, a secretária Clarissa Rippel afirmou que a unidade não possui as certidões necessárias para uma nova contratualização com o município. Segundo ela, uma ação do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) também impede o aporte administrativo de recursos.
A secretária informou ainda que um credenciamento para 50 leitos de UTI e 100 leitos clínicos não havia recebido habilitações de hospitais com a documentação exigida. O novo edital, por sua vez, prevê a contratação de 70 leitos de UTI adulto. O aviso de prorrogação não esclarece se houve mudança em relação ao procedimento citado na audiência.
O Correio questionou o município sobre o fornecimento de leitos e aguarda um posicionamento.