Por Gabriel Rattes
A nadadora petropolitana Bela Faria intensifica a preparação para o Campeonato Mundial de Águas Abertas, o OCEANMAN World Final Championship 2026, que será realizado entre os dias 10 e 15 de novembro, em Miches, na República Dominicana. A menos de um mês da competição, a atleta concilia os treinos com os cuidados físicos e mentais, enquanto busca apoio financeiro para representar o Brasil e Petrópolis no evento internacional.
O momento é de confiança após a conquista da Copa Brasil de Águas Abertas, em outubro. Em Salvador, na Bahia, Bela venceu a prova de 1,5 quilômetro e conquistou o segundo lugar nos quatro quilômetros, em sua primeira competição oficial defendendo o Clube de Regatas Vasco da Gama. O resultado nacional reforça a preparação para o Mundial, para o qual a petropolitana já garantiu classificação.
“Conquistar a Copa do Brasil representa muito mais do que um resultado esportivo para mim. É a confirmação de que todo o trabalho, a disciplina e as renúncias que fazem parte da minha rotina estão me levando na direção dos meus sonhos”, afirma a nadadora.
Preparação e confiança
Nesta reta final, a rotina de Bela está concentrada na competição. Segundo a atleta, a preparação envolve não apenas os treinos na água, mas também a recuperação, a alimentação e o equilíbrio emocional. Estudante de Nutrição, ela destaca a importância de respeitar o planejamento e manter a consistência construída ao longo dos anos.
A preparação psicológica também é parte desse processo. Bela conta que busca transformar a ansiedade em energia para competir e manter o foco no que pode controlar. Atleta com deficiência auditiva, ela considera que os desafios enfrentados fora das piscinas fortaleceram sua capacidade de adaptação.
“Tenho uma história que me ensinou a não desistir diante das dificuldades. Sou uma atleta com deficiência auditiva e precisei aprender a lidar com desafios que vão além da competição. Isso fortaleceu muito a minha capacidade de adaptação. No Mundial, quero levar essa força comigo, mas também quero me permitir viver cada momento, aprender e competir com coragem”, relata.
Para Bela, representar o Brasil em uma competição internacional dessa importância, levando o nome de Petrópolis, é uma responsabilidade e um orgulho. “Eu venho de uma cidade que não tem mar, comecei a nadar ainda criança e construí minha trajetória enfrentando desafios dentro e fora do esporte. Estar nesse cenário mostra que a origem de uma pessoa não precisa determinar o tamanho dos sonhos que ela pode alcançar”, completou.
Busca por patrocinadores
Apesar da classificação, a participação no Mundial depende de apoio financeiro. A atleta ressalta que despesas com deslocamento, alimentação, equipamentos e inscrição fazem parte dos desafios enfrentados por quem busca espaço no esporte de alto rendimento.
“Muitas pessoas veem o atleta no pódio, com a medalha no peito, mas nem sempre imaginam tudo o que existe por trás: os treinos, a alimentação, os equipamentos, os deslocamentos, as inscrições e os custos para representar o país em uma competição internacional”, afirmou.
Bela procura empresas e parceiros interessados em apoiar sua trajetória. A população também pode contribuir divulgando sua história nas redes sociais, compartilhando seus conteúdos e conectando a nadadora a possíveis patrocinadores. “Conquistar a classificação para o Mundial foi uma vitória enorme, mas conseguir viabilizar a participação também exige uma luta fora da água”.
Representar Petrópolis em uma competição internacional é motivo de orgulho para a atleta, que começou a nadar ainda criança em uma cidade sem mar. Para ela, a oportunidade também pode inspirar outras pessoas, especialmente jovens, mulheres e pessoas com deficiência.
“Eu fiz a minha parte para chegar até aqui, e agora estou buscando as parcerias necessárias para transformar essa classificação em presença no Mundial. Às vezes, uma marcação, um compartilhamento ou uma conexão pode parecer pouco para quem faz, mas pode mudar completamente o caminho de um atleta. E eu espero que, juntos, possamos fazer Petrópolis chegar ainda mais longe”, afirma Bela.