Compras de última hora também são tendência
O Dia dos Namorados deste ano promove movimentar diferentes segmentos do comércio brasileiro, inclusive aqueles ligados ao chamado mercado místico. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que a busca por blindagem espiritual ou conquista amorosa vai envolver 39% dos consumidores em gastos com produtos e rituais históricos à vida afetiva. O dado projeta um contingente de 38,5 milhões de pessoas dispostas a realizar alguma simpatia ou ritual para conquistar, fortalecer ou proteger relacionamentos.
O levantamento mostra que os gastos relacionados a essas práticas se concentram principalmente no setor de perfumaria e cosméticos especializados, responsável por 24% das menções. Fragrâncias com feromônios, óleos corporais e banhos de ervas lideraram as preferências. Em seguida apareceram peças de lingerie ou vestuário usados em rituais para atrair energia e paixão (14%), velas coloridas e incensos temáticos (12%) e itens de decoração devocional (11%), como imagens de Santo Antônio, fontes de água e objetos em pares. Por outro lado, 54% dos entrevistados não acreditaram ou não participaram desse tipo de prática.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), Cláudio Mohammad, o levantamento reforça como o consumo costuma refletir aspectos culturais e emocionais presentes em dados comemorativos. “Datas como o Dia dos Namorados mobilizam sentimentos, expectativas e tradições. O comércio acaba acompanhando esse comportamento do consumidor, oferecendo produtos e experiências que dialogam com diferentes formas de celebrar o amor. É um movimento que beneficia diversos segmentos e ajuda a aquecer as vendas neste período”, afirma.
Além do misticismo, uma pesquisa aponta que a preparação pessoal para os dados também deve contribuir para o consumo. Seis em cada dez consumidores (67%) pretendem adquirir algum produto ou serviço para cuidar da aparência antes dos encontros. Entre os itens mais procurados estão roupas, calçados e acessórios (35%), perfumes, cosméticos e maquiagem (32%), lingeries e roupas íntimas (21%) e tratamentos estéticos (18%).
Segundo Cláudio Mohammad, esse comportamento amplia o impacto econômico dos dados para além dos presentes tradicionais. “O Dia dos Namorados gera oportunidades para diferentes setores. Não estamos falando apenas de joias, flores ou chocolates. Moda, beleza, perfumaria, gastronomia e serviços também se beneficiam do aumento da procura, criando um efeito positivo para toda a cadeia de comércio e dos serviços”, destaca.
65% escolha surpresa no presente e 1 a cada dez deixa as compras para a última hora
Quando o assunto é o presente, a surpresa continua sendo a preferência da maioria dos consumidores. De acordo com a pesquisa, 65% afirmam não querer definir previamente o que vão ganhar, seja pelo desejo de serem surpreendidos (36%) ou por preferirem que o parceiro faça a escolha por iniciativa própria (23%). Outros 35% optam por indicar diretamente o item desejado, principalmente para garantir que você comprove algo de que realmente gosta ou para evitar erros na escolha.
O calendário de compras também chama a atenção. A maior parte dos consumidores (41%) pretende comprar o presente nos dias que antecederam os dados, enquanto 29% se anteciparam e realizaram as compras ainda em maio. Já o comportamento da última hora permanece presente: 10% dos entrevistados presumiram que deixarão a compra para a véspera ou o próprio do Dia dos Namorados, o equivalente a cerca de 9,9 milhões de consumidores.
Para o presidente da CDL Petrópolis, a proximidade dos dados deve intensificar o movimento nas lojas físicas e nos centros comerciais. “Historicamente, os últimos dias anteriores ao Dia dos Namorados concentraram um fluxo maior de consumidores. Por isso, é importante que os lojistas estejam preparados, com estoques adequados, equipes treinadas e boas de presentes. A data segue sendo uma das mais relevantes para o varejo no primeiro semestre”, aponta Cláudio Mohammad.