Dezoito anos depois de mudar a relação dos brasileiros com o volante, a Lei Seca segue evoluindo. A legislação, que entrou em vigor em 20 de junho de 2008, chega à sua “maioridade” com uma nova fronteira em vista: a adoção dos chamados drogômetros, que são bafômetros de nova geração, capazes de detectar não apenas o álcool, mas também outras substâncias psicoativas no organismo do motorista. Os equipamentos estão em fase de testes e aguardam certificação do Inmetro para entrar em operação oficial.
O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), autor do projeto que originou a lei, celebra a data e já aponta o próximo passo. “Não ficamos parados nesses 18 anos. Seguimos aperfeiçoando a Lei Seca para que ela sej cada vez mais efetiva. Já discutimos em vários ambientes a questão de outras drogas. É necessário, um pouco mais complexo, mas é preciso agir e avançar para outras substâncias que também comprometem a capacidade do motorista”, afirmou o parlamentar.
Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revelam a dimensão da fiscalização: de junho de 2008 até maio de 2026, foram registradas mais de 3,7 milhões de infrações em todo o país. Desse total, nada menos do que 66% correspondem à recusa ao teste do bafômetro,conduta que, desde 2016, é classificada como infração gravíssima e equivale, para fins legais, à comprovação da embriaguez. Só no Rio de Janeiro, onde as operações tiveram início em 2009, foram realizadas mais de 42,6 mil blitzes, com quase 5 milhões de motoristas abordados.
Para Hugo Leal, o maior legado da legislação vai além das estatísticas. “A mudança de comportamento gera mudança de geração. Alguém que tinha 10 anos quando a Lei Seca foi sancionada hoje tem 28 anos e a forma como essa pessoa enxerga o ato de beber e dirigir é completamente diferente. Esse é o principal ativo da Lei Seca depois de 18 anos: essa transformação de visão, de cultura. E ainda estamos em processo de evolução”, destacou o deputado.
Essa mudança de cultura é sentida na ponta. Elaine Dutra, que ficou paraplégica após ser vítima de um motorista alcoolizado em 2003 e hoje atua como agente de educação da Lei Seca, é testemunha viva dessa transformação. “Hoje somos bem aceitos em bares e eventos. Ouvimos nos hospitais que o número de traumas envolvendo álcool e direção caiu muito, até 60%. É trabalho de formiguinha”, relata.
O comportamento cultural do brasileiro, que frequentemente subestima os riscos, segue sendo um obstáculo no declínio das taxas. A educação, especialmente entre os jovens, aparece como prioridade estratégica para os próximos anos. Em junho deste ano, Hugo Leal promoveu um seminário na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados para debater justamente esses desafios. “É fundamental manter o debate público vivo, ampliando a conscientização sobre os riscos de dirigir sob efeito de álcool e fortalecendo o compromisso do Estado e da sociedade com a preservação de vidas no trânsito”, reforçou o deputado.
Com a chegada dos drogômetros ao cotidiano das estradas brasileiras, a Lei Seca dá mais um passo na direção de um trânsito mais seguro, provando que, aos 18 anos, ainda tem muito pela frente.