O transporte público de Petrópolis voltou a ocupar as manchetes nesta semana. A decisão da Justiça de autorizar a busca e apreensão de 23 ônibus da Turp Transporte reforça uma discussão que o município já deveria estar enfrentando: a necessidade de um plano de contingência para garantir a continuidade do serviço caso a empresa não consiga manter a operação. O pedido foi feito por uma instituição financeira, que alega atraso no pagamento de parcelas de financiamento que, somadas, chegam a R$ 9,4 milhões.
A situação da Turp não é novidade para os petropolitanos. A empresa opera por meio de contrato emergencial desde a saída da Petro Ita e da Cascatinha, registra índices de falhas mecânicas e quebras superiores aos das demais concessionárias do município e, antes da intervenção decretada pela Prefeitura, acumulava atrasos no pagamento de salários e de direitos trabalhistas. Agora, soma-se a esse cenário a inadimplência no financiamento da frota.
Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro), um ônibus novo custa, em média, R$ 900 mil. Por isso, a renovação da frota costuma ser feita por meio de financiamentos bancários. Em nota enviada à imprensa, o sindicato informou ainda que a instituição financeira reduziu, sem aviso prévio, o prazo de tolerância para atraso das parcelas de 60 para 30 dias.
Apesar desse esclarecimento, a nota não afasta a responsabilidade da empresa pelo cumprimento das obrigações previstas em contrato. Ao contrário, evidencia que a Turp enfrenta dificuldades financeiras e operacionais.
Mas o que levou a empresa a esse cenário? A nota não responde. O problema está na arrecadação das linhas operadas? Na quilometragem percorrida? Nas condições de conservação das vias? Em falhas de gestão? Essas e outras perguntas permanecem sem resposta.
Há, porém, outro fator que precisa entrar nessa equação. Em 20 de maio, a Prefeitura decretou intervenção na empresa e informou que toda a arrecadação obtida durante esse período seria destinada ao pagamento dos salários dos rodoviários.
Diante desse cenário, surge um novo questionamento: de onde sairão os recursos para quitar as próximas parcelas dos financiamentos? A receita obtida com publicidade nos ônibus dificilmente será suficiente. A empresa dispõe de reserva financeira para suportar esse período?
Independentemente da resposta, uma questão parece inevitável. A Prefeitura precisa pensar nos próximos passos. Caso a Turp não consiga manter a operação, o município terá de garantir a continuidade do transporte público. Um novo processo de contratação ou licitação deveria estar sendo planejado desde já, evitando que uma eventual interrupção do serviço deixe milhares de passageiros sem alternativa ou obrigue a redistribuição emergencial das linhas entre as demais empresas.