A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que, de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, 56.838 pessoas foram mortas em território fluminense em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios e mortes por intervenções de agentes do Estado. O número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado e é como se toda a população de uma cidade do porte de Paraty ou Guapimirim tivesse sido extinta pela violência nesse período. Em 2025, a Região Serrana (Petrópolis e Teresópolis) , apesar de ter sido considerada em 2015 uma das localidades mais seguras do estado, registrou crescimento de 39% nesse tipo de ocorrência nas respectivas cidades, ao longo da última década.
As informações estão ressaltadas no “ Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015 – 2025 ”, elaborado pela Firjan com o objetivo de entregar análise detalhada e contribuir com a elaboração de políticas públicas. Com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estudo é composto pelos indicadores de estelionato, extorsão, letalidade violenta, roubo e furto de veículos, roubo de carga e roubo de rua, crimes que afetam pessoas e empresas.
“Estamos entregando análise da última década e propondo um olhar específico para o que está acontecendo em cada região. Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, diz o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano . Também de acordo com a federação, a insegurança e a ilegalidade geram custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense.
No que se refere à letalidade violenta, Teresópolis fechou o ano de 2025 com 24 casos, representando uma taxa de13,58 por cada 100 mil habitantes. O índice é maior que dos demais municípios mais populosos da Região Serrana. A cidade encerra a década (2015 – 2025) com taxa estruturalmente mais elevada do que a que começou em 2015, de 7,31 (13 casos). Petrópolis, com 22 registros no último ano, tem uma taxa de 7,46 por cada 100 mil habitantes, apresentando uma trajetória mais controlada. A taxa de 6,7 em 2015 (20 casos), chegou ao pico de 12,1 em 2018 (25 casos), seguindo com variações nos anos seguintes. Encerrou 2025 se mantendo com o segundo menor valor consecutivo desde 2016. No entanto, a taxa ainda está acima do ponto de partida da série histórica, sem configurar tendência consolidada de queda.
Petrópolis e Teresópolis apresentaram alta nos casos de estelionato
Entre os crimes analisados, o de estelionato, muito ligado aos meios digitais, teve 146.981 registros no estado do Rio de Janeiro em 2025 – crescimento de 313% em relação a 2015. Esse crescimento é espelhado em Petrópolis e Teresópolis, que ano passado registraram 4.109 casos de estelionato e taxa de 871,2 por 100 mil habitantes, crescimento de 497% em relação a 2015, ritmo muito superior ao do estado, que cresceu 297% no mesmo período.
De acordo com o estudo, os dois municípios registraram alta ao longo de toda a série. Petrópolis, com 2.636 casos, concentrou 64% dos registros regionais em 2025, a uma taxa de 893,8 por 100 mil, acima da média estadual de 853,4. O município acumulou crescimento de 542% na taxa ao longo da década, o maior entre os dois. Teresópolis, com 1.473 registros, cresceu 428%, encerrando 2025 com taxa de 833,5, índice estável em relação a 2024, quando registrou 832,5.
O crescimento para esse tipo de ocorrência é generalizado e acompanha a tendência nacional de expansão dos crimes financeiros e digitais. O movimento coincide com a consolidação do Pix e o avanço do comércio eletrônico.
Pelas demais regiões do estado, a Capital, com 73.657 casos, e o Leste Fluminense, com 23.509, foram os locais mais prejudicados em 2025, mas todas as regiões registraram alta no período 2015-2025, com a Centro-Sul (767%), a Centro-Norte (615%) e a região Serrana (497%) com os maiores aumentos.
Com relação à extorsão, Teresópolis apresentou crescimento de 124% na taxa na última década. Em 2025, o município encerrou com taxa de 18,1 por 100 mil habitantes, acima de Petrópolis (14,6) e próxima ao patamar estadual, após leve recuo de 33 para 32 casos em relação a 2024. Petrópolis fechou o ano de 2025 com 43 casos.
Em todo o estado foram 3.646 casos no ano passado, com a capital e o Leste Fluminense com o maior número de registros, 1.799 e 625 ocorrências, respetivamente. O crescimento no número de ocorrências em relação a 2015 foi de 80% e o avanço também foi registrado em todas as regiões fluminenses, sendo a Centro-Sul (450%), a Norte (247%) e a Noroeste (100%) aquelas que apresentaram os maiores aumentos.
Já as ocorrências relacionadas a roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga, no geral, tiveram queda no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025, mas ainda são 102.703 – em média, 281 casos por dia.
No que se refere a roubo de rua, Petrópolis apresentou queda mais modesta ao longo da série, de 10% na taxa entre 2015 e 2025. A taxa saiu de 26,5 por cem mil habitantes em 2015 (79 casos), atingiu o pico de 77,1 em 2017 (230 casos) e recuou de forma consistente desde então, chegando a 23,7 em 2025 (70 casos).
Teresópolis apresentou trajetória mais expressiva, com queda de 43% na taxa ao longo da série histórica (2015-2025), tendo uma redução de 27 para 21 casos de 2024 para 2025, menor registro do período.
Em roubo de veículos, Teresópolis concentrou a queda mais expressiva: saiu do pico de 2017, quando foram registrados 18 casos para apenas 1 em 2023 e 2024. Em 2025 foram 4 ocorrências. Petrópolis encerrou 2025 com 17 roubos, leve alta em relação a 2024, quando houve 15 registros.
Já em furto de veículos, movimento recente é protagonizado por Petrópolis: o município saiu de 47 furtos em 2024, seu mínimo no histórico, para 90 em 2025, alta de 91% em absolutos, revertendo a tendência de queda dos anos anteriores. Em Teresópolis foram 40 casos em 2025.
Com base nos indicadores, a Firjan destaca a necessidade de ações de segurança pública regionalizadas. “Uma medida pode ser a criação de um fórum permanente, com a participação do setor produtivo e da sociedade civil. Esse é um caminho para que se possa planejar e monitorar políticas públicas com uma abordagem regional”, diz o gerente geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney .
Ele também enfatiza a importância de modernização da capacidade de investigação para crimes de fraude por meios digitais, de enfrentamento ao crime organizado e a sua economia, além de ampliação da disponibilidade de dados públicos de segurança.
O “ Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025 ”, com informações detalhadas por regiões e tipos de crimes, pode ser acessado através deste link: https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-seguranca-publica-2015-2025
Acesse também os estudos “Rio de Futuro – Vocações e Potencialidades Econômicas do Rio de Janeiro” e “Custo Rio – O Desafio da Competitividade Fluminense”:
https://observatorio.firjan.com.br/prospectiva-e-tendencias/potencialidades
https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/custo-rio?_gl=1ueoc4z_gcl_awR0NMLjE3NzU3NjQ4OTUuQ2p3S0NBanduTjNPQmhBOEVpd0FmcFRZZXZDNk8yWXhBRFVqOWRHZjZqbG5KckhVNXpFaURQRDBNYkRRYVRtNGdWNmNyeXNWTTcwbkl4b0MxaVFRQXZEX0J3RQ.._gcl_au*MjUzMzMxMTcuMTc3Mzc2NzI0MA.
Foto: Agência Brasil