A Etapa Nacional das Paralimpíadas Universitárias começou nesta segunda-feira (21). As disputas de atletismo são realizadas no Estádio Olímpico do Ibirapuera, enquanto natação e bocha ocorrem no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB).
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) divulga boletins da competição. Ao todo, 329 atletas de 24 unidades federativas participam da etapa, que conta com provas de atletismo, natação e bocha. O evento, que se encerra nesta terça (22), reúne estudantes de cursos de graduação e pós-graduação de todo o Brasil.
Entre os atletas que entraram em ação no Ibirapuera está o fluminense Matheus Fernandes, de 26 anos, da classe T11 (destinada a atletas com deficiência visual total). Estudante do terceiro ano de jornalismo, ele conquistou a medalha de ouro nos 400 m, nesta segunda-feira, com o tempo de 1min03s95.
Ele perdeu a visão aos cinco anos, após uma infecção que, segundo seu relato, teria sido provocada por água da chuva contaminada por um fungo associado a fezes de pombo. Ficou internado por cerca de um ano, sendo três meses em coma. Depois de deixar o hospital, precisou reaprender a andar e passou por um longo processo de fisioterapia.
Há cerca de dez anos, Matheus começou no atletismo por meio de um projeto da igreja que frequentava em São Gonçalo (RJ). Desde então, passou a disputar competições estaduais e nacionais. Hoje, mantém o objetivo de seguir evoluindo no esporte, mesmo que precise recorrer às redes sociais para encontrar pessoas dispostas a acompanhá-lo nos treinos.
Seu guia oficial, Wallace Santos, mora em Nova Iguaçu, a 59 km de São Gonçalo. Por isso, Matheus muitas vezes precisa treinar na rua com voluntários que encontra por meio das redes sociais. Ele também enfrenta dificuldades para utilizar a pista de sua faculdade e para chegar ao local de treinamento de seu clube, localizado a cerca de 20 km de sua casa.
“Meu guia oficial mora bem longe de mim, então eu dependo muito de pessoas para se voluntariarem para poder treinar na rua comigo. Não é a mesma coisa, não é um treino específico de pista, mas é o que dá. Muitas vezes acabo não fazendo treinos de velocidade, apesar de fazer longas distâncias”, explicou o atleta.
Além da dificuldade para encontrar alguém que possa acompanhá-lo, os treinos na rua não permitem reproduzir o trabalho específico realizado em uma pista, especialmente para provas de velocidade. Mesmo assim, Matheus chegou às Paralimpíadas Universitárias com metas claras: buscar os índices para o Campeonato Brasileiro, nos 400 m e nos 200 m, sua prova principal.
“Alcançar esse objetivo, apesar de não estar treinando, me motiva e me faz acreditar que, se eu treinar, consigo chegar mais longe e alcançar o objetivo, que é ficar entre os três melhores do Brasil, no Campeonato Brasileiro.”
Matheus ficou a dez centésimos do índice de classificação para o Campeonato Brasileiro de 2026 na prova dos 400 m. Ele volta às pistas nesta terça-feira, dia 22, para disputar os 200 m e tentar alcançar a marca necessária.
Da Seleção às Paralimpíadas Universitárias
Também esteve na competição a paulista Danielle Longhini, atleta da Seleção Brasileira de goalball, que aproveitou as Paralimpíadas Universitárias para voltar a competir no atletismo. Ela conquistou a medalha de bronze no arremesso de peso, com a marca de 5,88 m. Danielle está no último semestre dos cursos de Direito e Ciência da Computação. Este último é realizado por meio de uma parceria entre o CPB e a Universidade Estácio de Sá.
No esporte desde a infância, Danielle passou por modalidades como ginástica olímpica, natação, balé, vôlei, basquete e lutas. Em 2013, conheceu o goalball na escola e começou a competir na modalidade. Na mesma época, também praticava atletismo, mas acabou abandonando-o por não gostar das provas de velocidade.
Há cerca de dois anos, porém, voltou a sentir vontade de praticar uma modalidade em que seu desempenho dependesse exclusivamente dela. Decidiu retomar o atletismo e estabeleceu duas metas para as Paralimpíadas Universitárias: lançar o peso a mais de 5 m e conquistar uma medalha.
“Já tem uns dois anos que sempre me bate aquela vontade de fazer algo que só dependa de mim. Se eu errar, fui eu que errei. Se eu acertar, fui eu que acertei. Eu vim com duas metas: jogar o peso a mais de 5 metros e ganhar uma medalha. E eu consegui as duas.”
Outro esportista da Seleção presente nas provas de atletismo foi o pernambucano Romildo Pereira, da classe T44 (destinada a atletas com comprometimento nos membros inferiores), estudante de educação física. Ele conquistou duas medalhas de ouro: no salto em distância, alcançou a marca de 6 m; depois, venceu os 400 m, com o tempo de 56s36.
Paralimpíadas Universitárias
Ao todo, 329 atletas de 24 unidades federativas participam da Etapa Nacional das Paralimpíadas Universitárias 2026, que reúne provas de atletismo, natação e bocha. O evento é destinado a estudantes de cursos de graduação e pós-graduação de todo o Brasil.
As provas de atletismo são realizadas nas manhãs de segunda e terça-feira, dias 21 e 22, no Estádio Olímpico do Ibirapuera. À tarde, o CTPB recebe as disputas de natação. As partidas de bocha ocorrem durante todo o dia, nas duas datas da competição.
Os participantes garantiram vaga na Etapa Nacional por meio das seletivas estaduais do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em todas as unidades federativas entre abril e agosto deste ano. A programação contou com disputas voltadas tanto ao alto rendimento quanto aos atletas em desenvolvimento.