Por Gabriel Rattes
A situação das filas para consultas e exames e o impasse envolvendo o antigo Hospital Clínico de Corrêas (HCC) estiveram entre os principais assuntos da audiência realizada na Câmara Municipal de Petrópolis, em 30 de setembro. O encontro foi realizado para apresentação do Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA), referente aos meses de maio a agosto de 2026. Estiveram presentes, a secretária municipal de Saúde, Clarissa Rippel, integrantes da pasta, representantes do Sehac e do Hospital Municipal Nelson de Sá Earp, além do Conselho Municipal de Saúde. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Comissão de Defesa da Saúde, vereador Tiago Leite.
O relatório mostra que, ao final de agosto, Petrópolis tinha 31.749 solicitações de consultas e 27.215 de exames aguardando atendimento. Na audiência, o antigo HCC também foi alvo de questionamento do vereador Dr. Aloisio Barbosa. Segundo Clarissa Rippel, o hospital não possui atualmente as certidões necessárias para uma nova contratualização com o município, além de haver uma ação do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) que impede a realização de aporte administrativo de recursos.
A audiência contou ainda, de forma on-line, com o vereador Octavio Sampaio. Júlia Casamasso permaneceu na apresentação e informou que encaminharia posteriormente questionamentos à Secretaria por meio de ofício.
Recursos, consultas e exames
Entre os números apresentados, a Secretaria de Saúde informou que recebeu R$ 195,6 milhões em recursos durante o segundo quadrimestre. Do total, R$ 112,2 milhões vieram do governo federal, R$ 17,2 milhões do Estado e R$ 65,5 milhões de recursos municipais. O relatório também aponta que a rede municipal realizou 3.464 internações no Hospital Alcides Carneiro e 645 no Hospital Municipal Nelson de Sá Earp no período. No Nelson de Sá Earp, foram registrados ainda 17.865 atendimentos de emergência e 8.457 ambulatoriais.
Apesar dos resultados apresentados pela Prefeitura, os dados mostram que a demanda reprimida continua sendo um dos principais desafios. Entre o primeiro e o segundo quadrimestres, o número de solicitações de consultas e exames passou de 254.632 para 286.276, aumento de 12%. Ao final de agosto, havia 31.749 solicitações de consultas aguardando atendimento e 27.215 exames na fila. Entre as consultas, a maior demanda era por ortopedia e traumatologia, com 6.088 pessoas, seguida por dermatologia, com 6.071. Já entre os exames, o maior represamento era de ecocardiogramas transtorácicos, com 13.670 solicitações.
O relatório ainda registra uma fila de 3.616 pacientes para pré-avaliação de colonoscopia e aponta dificuldades para ampliar a oferta de determinadas especialidades. Segundo a Secretaria, a organização e a limpeza das filas foram intensificadas a partir de agosto, enquanto o município busca novos prestadores por meio do programa Agora Tem Especialistas.
Atenção Primária
Na Atenção Primária à Saúde (APS), que é a principal porta de entrada do SUS, o relatório aponta cobertura estimada de 74,17% da população e 60.027 consultas médicas realizadas no segundo quadrimestre. Também foram registrados 2.660 atendimentos domiciliares por profissionais de Saúde da Atenção Primária. Um aumento de 658 atendimentos (32,87%) ao comparar com os números do primeiro quadrimestre.
O atendimento domiciliar realizado pela Equipe Saúde da Família (eSF) é uma ação da Atenção Primária e destinada às pessoas que, por condição de saúde ou vulnerabilidade necessitam de cuidados no domicílio destinada principalmente aos usuários acamados, domiciliados ou que apresentam dificuldade de deslocamento até a unidade de saúde.
Investimento e situação do HCC
Durante a audiência, a vereadora Júlia Casamasso criticou o volume de recursos direcionados a instituições privadas e defendeu o fortalecimento da estrutura municipal. Ao mesmo tempo, elogiou a realização do concurso público para a área da Saúde. “Tendo concurso, com profissional qualificado. É uma notícia maravilhosa. A gente precisa comemorar como uma vitória”, afirmou.
A situação do antigo Hospital Clínico de Corrêas também foi questionada pelo vereador Dr. Aloisio Barbosa. Clarissa Rippel explicou que a unidade não possui atualmente as certidões necessárias para uma nova contratualização com o município. Segundo a secretária, o hospital também está envolvido em uma ação do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) que impede a Prefeitura de realizar aporte administrativo de recursos. A Secretaria abriu um credenciamento que prevê 50 leitos de UTI e 100 leitos clínicos, mas, de acordo com Clarissa, nenhum hospital com a documentação necessária se habilitou até o momento.