A cada minuto em que uma artéria do cérebro permanece bloqueada ou se rompe, milhões de neurônios deixam de receber o combustível básico para a vida: oxigênio e glicose. Considerada uma das maiores causas de morte e a principal razão de incapacidade física e cognitiva em adultos, a condição exige resposta imediata dos serviços de emergência. Neste Dia Mundial do AVC (29), o Dr. Edson Nunes, neurologista e neurocirurgião do Hospital Santa Teresa, reforça o alerta para a velocidade no diagnóstico e o controle rigoroso dos fatores de risco.
“O acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma área do cérebro é interrompido ou há o rompimento de um vaso, provocando lesões cerebrais. O cérebro necessita de oxigênio e glicose de forma contínua através do sangue para se manter funcionando. Então, quando esse fornecimento cessa, as células cerebrais entram em ‘sofrimento’ e começam a morrer em poucos minutos”, explica o neurologista.
Embora todas as manifestações da doença provoquem danos graves e risco iminente de morte, o AVC se divide em duas formas principais:
- AVC Isquêmico: É a apresentação mais frequente na rotina hospitalar. Ocorre quando uma placa de gordura (aterosclerose) ou um coágulo obstrui uma artéria cerebral. Sem a passagem adequada do fluxo, a área irrigada por aquele vaso sofre isquemia e necrose.
- AVC Hemorrágico: Acontece quando uma artéria cerebral se rompe, extravasando sangue diretamente para o tecido funcional do cérebro (parênquima cerebral) ou para os espaços ao redor do tecido. O sangramento acumulado gera um perigoso aumento da pressão intracraniana.
Sinais de alerta: reconhecer cedo salva vidas
A manifestação clínica de um AVC costuma ser repentina. Por isso, saber identificar os sintomas nas primeiras manifestações permite acionar a emergência médica a tempo de aplicar terapias que revertam ou minimizem o dano neurológico.
“Os principais sinais que indicam que uma pessoa pode estar sofrendo um AVC são: a assimetria súbita do rosto; fraqueza ou dormência súbita nos braços e/ou nas pernas; perda súbita da visão; desequilíbrio ou dificuldade de caminhar; dificuldade repentina de falar ou compreender; além de cefaleia súbita intensa acompanhada de vômitos ou alteração de consciência”, cita o Dr. Edson Nunes.
Quando o socorro tarda ou o volume de tecido cerebral afetado é expressivo, as consequências a longo prazo podem comprometer a autonomia do paciente. O impacto, no entanto, vai depender da localização exata da lesão no córtex cerebral. De acordo com o médico, as sequelas mais comuns incluem:
- Paralisia de um lado do corpo (hemiplegia);
- Rigidez e espasmos musculares;
- Perda da coordenação motora;
- Alterações cognitivas e lapsos de memória;
- Crises convulsivas e vertigens contínuas.
A comunicação e as funções básicas do dia a dia também sofrem abalos consideráveis. Muitos pacientes desenvolvem afasia (incapacidade de se expressar verbalmente, ler, escrever ou entender a fala alheia) e disfagia, quadro de dificuldade para deglutir alimentos e líquidos que eleva o risco de problemas respiratórios, como broncoaspiração e pneumonia.
Apesar disso, grande parte dos episódios de AVC poderia ser evitada com vigilância médica e ajustes na rotina diária. Neste Dia Mundial do AVC, a recomendação central do neurologista e neurocirurgião do Hospital Santa Teresa é manter-se atento aos fatores de risco e à prevenção. Pacientes que sofrem de obesidade, hipertensão arterial, colesterol alto, doenças cardíacas, diabetes têm mais chances de desenvolver um acidente vascular cerebral. Da mesma forma, pessoas com aneurismas, idade avançada, além de hábitos relacionados ao sedentarismo, etilismo e tabagismo, também devem estar mais atentos. Afinal, a prevenção ainda é a melhor estratégia contra a doença.