O primeiro projeto federal de parceria público-privada na área da saúde vai expandir em 40% a capacidade de atendimento de radioterapia e quimioterapia do INCA
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta sexta-feira (17/04) a construção do novo Campus Integrado do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa representa um avanço na oncologia pública brasileira e vai ampliar em 40% a capacidade de atendimento em radioterapia e quimioterapia na unidade. Com investimento de R$ 1,1 bilhão e início das obras previsto para este ano, o projeto integra o programa Agora Tem Especialistas, criado para reduzir o tempo de espera da população por atendimentos especializados no SUS.
O novo campus vai integrar serviços que hoje estão distribuídos em diferentes unidades, além de modernizar a infraestrutura oncológica do país. O empreendimento será construído ao lado do Hospital do Câncer I (HCI), na Praça da Cruz Vermelha, e contará com ampliação da estrutura existente, modernização do edifício-sede e implantação de novos serviços.
“É uma iniciativa estratégica para modernizar a infraestrutura oncológica nacional e consolidar, em um único complexo, até 18 unidades do Instituto. Vamos integrar assistência, pesquisa e formação de profissionais. Nosso esforço é para garantir o uso pleno da capacidade dessas unidades e ampliar o acesso da população”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Entre os principais avanços, está a criação de até 450 novos leitos hospitalares, aumento de 20% no número de salas cirúrgicas e a ampliação do acesso de pacientes a pesquisas clínicas, passando de 5% para até 30%. A iniciativa fortalece não apenas a assistência, mas também o ensino e a produção científica na área oncológica.
O projeto também marca um modelo de financiamento inédito: é a primeira Parceria Público-Privada (PPP) federal na área da saúde. A iniciativa é conduzida pelo Ministério da Saúde em conjunto com o INCA, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Casa Civil e o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), consolidando um novo modelo de gestão para ampliar e qualificar o atendimento à população.
Mais especialistas nos Institutos Federais
Além dos investimentos em infraestrutura, o Ministério da Saúde também tem avançado no fortalecimento da força de trabalho nos institutos federais. Desde o início das contratações, em janeiro de 2026, já foram incorporados 1.585 profissionais, o que representa cerca de 77% do total previsto. Somente no INCA, foram 614 novos profissionais. Ao todo, estão previstas 2.058 contratações para garantir o pleno funcionamento das unidades e ampliar o acesso da população a serviços especializados de média e alta complexidade.
“O Agora Tem Especialistas é a expressão de um Brasil que voltou a investir no SUS, que voltou a valorizar quem está na linha de frente e reestruturar serviços de referência para garantir que o melhor cuidado chegue a quem mais precisa. Hoje dou as boas-vindas aos novos profissionais do INCA, que fazem parte de uma mobilização com o objetivo de promover uma transformação histórica no tratamento e diagnóstico de câncer no SUS, com redução do tempo de espera para consultas, exames e cirurgias”, destacou Padilha.
Saúde para as mulheres em Realengo
Ainda no Rio de Janeiro, o ministro Alexandre Padilha acompanhou o início dos atendimentos de saúde da carreta do programa Agora Tem Especialistas no bairro de Realengo. Voltada à saúde da mulher, a unidade móvel estacionada na Clínica da Família Armando Palhares Aguinaga conta com médico, enfermeiro e técnico de enfermagem e oferta consultas ginecológicas, mamografias, ultrassonografias pélvicas e transvaginais, além de biópsias. Podem receber o atendimento pacientes do SUS previamente agendadas e encaminhadas pelas secretarias de saúde locais.
No estado do RJ, quatro unidades móveis já passaram por 12 municípios e três bairros da cidade, com atendimentos em saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia. Entre as regiões atendidas, estão o Morro do Alemão e Japeri, que tiveram as filas de atendimento em saúde da mulher zeradas pelo Ministério da Saúde. Outras cinco regiões de saúde fluminenses conseguiram zerar a demanda reprimida nas especialidades ofertadas.
Ao todo, nesta sexta-feira, 20 municípios de 15 estados e o Distrito Federal iniciaram os atendimentos em saúde da mulher e exames de imagem. Com mais de 36,3 mil km rodados atendendo pacientes do SUS de quase 600 municípios, as unidades móveis ampliam o acesso da população em áreas com vazios assistenciais, além de cidades-polo. A iniciativa ajuda na redução do tempo de espera por consultas, exames e cirurgias e garante que o cuidado chegue mais perto de onde as pessoas vivem.