Prefeitura não responde questionamentos e cidade enfrenta agravamento do trânsito
Por Gabriel Rattes
Dois anos após o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinar a revisão do Plano de Mobilidade Urbana de Petrópolis (PlanMob 2019-2029), o documento segue sem avanços práticos visíveis. A decisão, tomada em 2024, apontava falhas estruturais no plano, como a ausência de previsão orçamentária e a falta de integração com políticas públicas essenciais, como habitação e redução de riscos.
Na época, o TCE estabeleceu prazos para que o município promovesse ajustes e tornasse o plano executável. No entanto, em 2026, a percepção é de que pouco mudou, enquanto os problemas de mobilidade seguem se agravando na cidade.
Como mostrou a reportagem publicada pelo Correio Petropolitano nesta sexta-feira (17), que inclui entrevista com o vereador e ex-presidente da CPTrans, Thiago Damaceno, moradores já levam mais de 1h30 para se deslocar entre distritos, em um cenário marcado pelo aumento da frota, queda no uso do transporte público e falta de planejamento efetivo.
Auditoria apontou falhas estruturais
A decisão do TCE teve como base uma auditoria realizada entre março e agosto de 2022. O levantamento identificou que, até o fechamento do relatório, nenhuma ação estratégica havia sido efetivamente implementada.
Além disso, das 192 ações previstas no plano original, apenas uma havia apresentado algum andamento. Cenário que evidenciou a fragilidade do planejamento.
Falta de avanço
Para o presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal e ex-presidente da CPTrans, Thiago Damaceno, o problema não está apenas no plano em si, mas na sua execução. “A gente está andando mal nesse sentido. Existe um plano, mas ele precisa ser atualizado e, principalmente, aplicado”, afirmou.
O vereador também criticou a falta de participação popular na construção do documento e a baixa implementação das propostas já existentes. “Eu acho que o plano poderia ter sido mais debatido e com maior participação da população. E o que a gente vê é que muito do que está ali não saiu do papel”, disse.
Estudos técnicos também não avançaram
Damaceno destacou ainda que estudos técnicos encomendados pela própria Prefeitura não foram plenamente utilizados. “Foi contratado um projeto de melhoria de mobilidade com a COPPE/UFRJ, um grupo extremamente qualificado, e muito pouco daquilo foi aplicado na prática”, enfatizou.
Segundo ele, a ausência de ações concretas agrava o cenário atual. “Os problemas vão se acumulando e o tempo vai passando sem que a gente veja medidas efetivas sendo implementadas”, completou.
Prefeitura não responde questionamentos
O Correio Petropolitano procurou a Prefeitura de Petrópolis e a CPTrans com questionamentos sobre mobilidade urbana, incluindo:
- Medidas para reduzir o tempo de deslocamento entre distritos
- Possibilidade de subsídio tarifário ou corredores exclusivos
- Avaliação da qualidade do transporte público
- Novo processo de concessão das linhas
- Ações contra estacionamento irregular
Até o fechamento desta edição, não houve resposta.
Problema se reflete no dia a dia
A falta de avanço no planejamento ajuda a explicar o cenário atual da mobilidade no município. Como mostrou reportagem publicada pelo Correio Petropolitano nesta sexta-feira (17), moradores já levam mais de 1h30 para se deslocar entre distritos — tempo comparável a viagens intermunicipais.
O levantamento também apontou fatores como o aumento da frota de veículos, a queda no uso do transporte público e falhas operacionais no sistema.
Para Damaceno, a solução passa por retomar o planejamento com ações concretas. “A gente precisa urgentemente retomar esse caminho de trabalho e de ação para melhorar a mobilidade do município”, afirmou.
Ele ressalta que, embora não existam soluções rápidas, a inércia pode agravar ainda mais o problema. “Não existe solução do dia para a noite, mas as medidas precisam começar a acontecer. O que não pode é continuar parado.”