E o nosso maior rival está em mais uma final de Copa do Mundo.
Há alguns anos, essa simples notícia faria a imensa maioria dos brasileiros reagir da mesma maneira: torcer contra a Argentina. Afinal, estamos falando da maior rivalidade da história do futebol. Uma disputa construída por décadas de confrontos inesquecíveis, decisões históricas, provocações, entradas duras, discussões dentro de campo e uma permanente disputa pela supremacia do futebol sul-americano.
Pelé e Maradona. Zico e Passarella. Ronaldo e Batistuta. Ronaldinho Gaúcho e Riquelme. Neymar e Messi. Cada geração escreveu um capítulo dessa rivalidade que sempre ultrapassou as quatro linhas. Durante muito tempo, para o brasileiro, ver a Argentina perder era quase tão prazeroso quanto ver o Brasil vencer.
Mas os tempos parecem ter mudado.
Hoje, não é difícil encontrar brasileiros declarando torcida pela Argentina. O que explica essa mudança? Será apenas a admiração por Lionel Messi, um dos maiores jogadores da história do futebol? Será o respeito por uma equipe organizada, competitiva e que joga com enorme espírito coletivo? Ou estaremos diante de um sentimento mais profundo?
Nos últimos anos, a Seleção Brasileira deixou de despertar em muitos torcedores a paixão de outras épocas. O futebol vistoso, irreverente e vencedor foi dando lugar a campanhas decepcionantes, trocas constantes de comando e à sensação de perda de identidade. A camisa amarela continua sendo um dos maiores símbolos do país, mas já não emociona a todos como antes.
Talvez essa reflexão nem termine no futebol.
Quando um povo atravessa períodos de dificuldades, insegurança e incertezas sobre o futuro, é natural que parte de seus símbolos também deixe de representar o mesmo entusiasmo. O futebol sempre foi um retrato do Brasil. Em muitos momentos, ele traduziu nossa alegria, criatividade e confiança. Se hoje alguns brasileiros encontram mais inspiração no rival do que na própria Seleção, vale perguntar se essa mudança revela apenas uma preferência esportiva ou se também reflete um estado de espírito.
É claro que cada torcedor tem suas razões. Muitos simplesmente admiram Messi e sua trajetória. Outros apreciam o futebol apresentado pelos argentinos. E há quem continue torcendo contra, como manda a tradição. Todas essas escolhas são legítimas.
Mas uma pergunta permanece.
Quando o brasileiro passa a enxergar mais virtudes na camisa do maior rival do que na sua própria, talvez o debate deixe de ser sobre futebol. Talvez seja um convite para refletirmos sobre aquilo que nos faz voltar a acreditar, dentro e fora dos gramados.
Porque nenhuma torcida pelo adversário será tão emocionante quanto o dia em que o Brasil voltar a fazer seu povo vestir a camisa verde e amarela com orgulho, esperança e paixão.
E este último parágrafo, não é sobre futebol
Quando um brasileiro torce pela Argentina ?
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