O trabalho temporário mantém participação relevante no mercado de trabalho brasileiro e vem ganhando espaço na estratégia das empresas. Entre janeiro e maio deste ano, a modalidade registrou 442.999 admissões e 425.754 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 17.245 vagas, segundo dados do Novo Caged. O setor de serviços foi o principal responsável por esse desempenho, concentrando 17.039 das novas vagas geradas no período.
Os dados também mostram que o trabalho temporário continua sendo uma importante porta de entrada para o mercado de trabalho. Das admissões registradas entre janeiro e maio, 341.029 foram de profissionais com ensino médio completo. Os jovens de 18 a 24 anos lideraram as contratações, com 146.666 admissões, seguidos pelos trabalhadores de 30 a 39 anos (114.180) e de 25 a 29 anos (86.288).
Para Vânia Montenegro, vice-presidente da Employer Recursos Humanos, os números refletem uma mudança na forma como as empresas organizam suas equipes diante de um mercado cada vez mais dinâmico.
“O trabalho temporário continua sendo uma solução importante para atender demandas sazonais, mas seu papel evoluiu. Hoje, muitas empresas recorrem a essa modalidade para responder rapidamente a mudanças no mercado, apoiar processos de expansão, implantar novas operações e conduzir projetos específicos. A agilidade passou a ser um diferencial competitivo, e isso também se reflete na forma de contratar”.
Agilidade muda a estratégia de contratação das empresas
A busca por maior rapidez nas decisões é uma tendência observada também no cenário internacional. O relatório 2026 Global Human Capital Trends, da Deloitte, aponta que sete em cada dez líderes afirmam que a agilidade será a principal estratégia competitiva para os próximos três anos. Além disso, 67% consideram a capacidade de adaptação um dos principais diferenciais para enfrentar um ambiente de negócios em constante transformação.
Outro levantamento reforça esse contexto. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, revela que 63% dos empregadores apontam a falta de profissionais com as competências necessárias como a principal barreira para transformar seus negócios. O estudo também projeta que, até 2030, serão criados 170 milhões de empregos em todo o mundo, enquanto 92 milhões deverão ser substituídos em razão das mudanças econômicas e tecnológicas.
Na avaliação de Vânia Montenegro, esse cenário faz com que as empresas repensem a forma de planejar sua força de trabalho. “O cenário atual exige capacidade de adaptação. Nem sempre as empresas conseguem prever quando precisarão ampliar suas equipes ou por quanto tempo essa demanda vai durar. O trabalho temporário permite ajustar a força de trabalho de forma planejada, acompanhando o ritmo dos negócios e oferecendo mais segurança para empresas e trabalhadores”.
Segundo a executiva, essa mudança de percepção tem ampliado o espaço do trabalho temporário dentro das estratégias de gestão de pessoas. “As empresas perceberam que flexibilidade e rapidez deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos para manter a competitividade. O trabalho temporário acompanha essa transformação ao permitir respostas mais ágeis às necessidades do negócio, sem abrir mão da segurança jurídica e da qualidade das contratações”.
Sobre a Employer Recursos Humanos
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