Médica explica quando o resultado merece atenção e investigação
O resultado alterado de um exame de rotina é, normalmente, o primeiro sinal de que algo no organismo precisa de uma investigação. É o caso da ferritina, proteína responsável pelo armazenamento do ferro dentro das células. Quando identificada em níveis elevados, pode estar associada a processos infecciosos, inflamatórios, alterações metabólicas, obesidade, resistência à insulina e problemas no fígado.
Segundo a Dra. Nathália Ventura, médica especializada em nutrologia, endocrinologia e metabologia, a ferritina alta não pode ser interpretada de forma isolada ou apenas como sinal de sobrecarga de ferro no organismo, que pode ocorrer em condições como a hemocromatose. Em casos mais específicos, por exemplo, doenças hematológicas, autoimunes e algumas neoplasias também podem estar associadas à elevação.
“A ferritina deve ser investigada de forma individualizada, entendendo o histórico clínico do paciente, considerando fatores como alimentação, composição corporal, uso de medicamentos e suplementos, consumo de álcool, alterações glicêmicas e função hepática. A partir disso, será possível solicitar exames necessários e complementares para direcionar toda a investigação”, disse.
Para a médica, não existe um valor único de ferritina que possa ser interpretado como perigoso, de forma isolada. Os parâmetros podem variar a depender de fatores como sexo, idade e laboratório. Por isso, é importante avaliar não apenas o resultado, mas também sua persistência, a saturação de transferrina, os exames hepáticos e o contexto clínico do paciente.
“Diretrizes europeias consideram relevante avaliar a combinação de ferritina acima de aproximadamente 200 μg/L nas mulheres e 300 μg/L nos homens. Já os valores acima de 1.000 μg/L merecem atenção especial. Por isso, um dos exames mais importantes é a saturação de transferrina. Através do resultado, podemos entender a necessidade de exames adicionais, como ultrassonografia e elastografia”, pontuou a Dra. Nathália Ventura.
A ferritina, por si só, não provoca sintomas no organismo. Normalmente, os sinais são provenientes da doença que provocou o aumento da ferritina. Em casos de sobrecarga de ferro, os sintomas mais comuns são fadiga, dores articulares, alterações hepáticas e glicêmicas e, nos casos avançados, comprometimento de outros órgãos.
“É necessário que o paciente busque uma avaliação completa com um profissional capacitado, evitando iniciativas por conta própria, como a restrição de alimentos ricos em ferro, retirada de sangue ou utilização de medicamentos e suplementos. A orientação médica é fundamental para definir a investigação e o tratamento adequado”, concluiu.
Para dicas sobre o assunto, a médica elaborou gratuitamente uma série de vídeos, com informações que priorizam a saúde, através do Instagram @dranathaliaventura. Diariamente, perguntas são respondidas e instruções fornecidas às pessoas que buscam por tratamento. Atendimentos clínicos também são realizados nas clínicas localizadas em Duque de Caxias e Petrópolis.