Divulgado nesta quinta-feira (08), o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz mostra que, no cenário nacional, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam sinal de oscilação ou estabilização nas últimas seis semanas e de crescimento na tendência de curto prazo nas últimas três semanas. Em relação aos casos de SRAG por vírus respiratório, observa-se que o rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento em nível nacional. No entanto, os novos casos semanais de SRAG por Covid-19 ainda estão baixos no país.
Segundo os pesquisadores do InfoGripe, “apesar da baixa de casos de SRAG na maior parte do país, é importante que a população prioritária verifique se está em dia com a vacinação contra a Covid-19. No caso das gestantes, é fundamental também se vacinar contra o VSR”, ressaltam. Em nível nacional, observa-se um leve sinal de retomada do crescimento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e estabilização dos casos nas demais faixas etárias.
“Os casos de SRAG por rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento em nível nacional. Contudo, os novos casos semanais de SRAG por Covid-19 ainda estão baixos. As ocorrências de SRAG por VSR e influenza B estão em queda e as hospitalizações por influenza A estão estáveis em níveis baixos de incidência”, informam os pesquisadores.
Estados e capitais
Em nível regional, observa-se que 3 das 27 unidades federativas – Alagoas, Roraima e Sergipe – apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas com indícios de crescimento nas últimas seis semanas até a Semana Epidemiológica 39.
Segundo a atualização, o aumento de SRAG nesses estados ocorre principalmente em crianças e adolescentes. Em Alagoas e Sergipe esse incremento está associado ao metapneumovírus. Em Roraima, ainda não há dados suficientes para determinar o vírus responsável.
O estudo aponta ainda que cinco unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Cinco das 27 capitais – Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória – apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento de SRAG nas últimas seis semanas, até a Semana 39.
Dados epidemiológicos
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 2,7% de influenza A, 6,5% de influenza B, 15,8% de vírus sincicial respiratório, 52,5% de rinovírus e 4,5% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 10,9% de influenza A, 14,7% de influenza B, 15,5% de vírus sincicial respiratório, 37,2% de rinovírus e 9,3% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Os casos notificados de SRAG sinalizam estabilização ou oscilação nas últimas 6 semanas e crescimento na tendência de curto prazo nas últimas três semanas.
No ano epidemiológico 2026 já foram notificados 161.053 casos de SRAG, sendo 86.534 (53,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 58.143 (36,1%) negativos e cerca de 7.270 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 16,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 40% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Os casos de SRAG por metapneumovírus têm aumentado em diversos estados das regiões Sul (Paraná e Santa Catarina), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo), Nordeste (Alagoas, Bahia, Paraíba. Pernambuco e Sergipe) e no Mato Grosso do Sul. Os casos de SRAG por rinovírus têm aumentado no Acre, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19, há um leve sinal de aumento dos casos graves no Acre, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e em São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência.
Incidência e mortalidade
A incidência e mortalidade semanal média – nas últimas oito semanas epidemiológicas – mantém o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. Enquanto a incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade temos o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.
A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao rinovírus, VSR e metapneumovírus. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o VSR, rinovírus e influenza A. O VSR e o rinovírus também se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.