Por: Leandra Lima
Como trouxe o Correio Petropolitano, logo após os resultados das eleições de 2026, começou um movimento nacional nas redes sociais de boicote a pequenos empresários, comércios e profissionais, além de demissões de trabalhadores que votaram em determinado candidato. No Estado do Rio de Janeiro, essa movimentação se fez presente em algumas cidades da Região Serrana e pode configurar uma violação de direitos.
A articulação das “listas de boicote” e os incentivos para que proprietários demitam trabalhadores por conta de suas escolhas políticas começaram a circular em grupos de WhatsApp nas cidades de Petrópolis, Nova Friburgo, Teresópolis, Cachoeiras de Macacu e Três Rios. A situação abriu um debate sobre possíveis sanções e os impactos que essas ações podem causar na economia local de cada município, nas relações trabalhistas e nos possíveis riscos de violência física e psicológica contra os proprietários, empresários e profissionais citados nas listas.
Com isso, parlamentares estão se mobilizando para tentar assegurar os direitos da população. Sindicatos também repudiaram a ação.
Na esfera jurídica, o deputado estadual Yuri Moura (PSOL) protocolou uma representação junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para denunciar a circulação dessas listas de boicote econômico, baseadas em convicções político-partidárias. Segundo ele, existe o risco de criação de um ambiente de intimidação, no qual cidadãos omitam suas preferências políticas por medo de retaliações financeiras ou sociais.
Na representação, Yuri solicitou a apuração da origem, da elaboração e da circulação das listas nos municípios de Petrópolis, Três Rios e Cachoeiras de Macacu, investigando a eventual existência de uma atuação coordenada. O parlamentar pediu que o órgão apure o uso do material como instrumento de perseguição, intimidação, discriminação e retaliação econômica, avaliando potenciais ofensas ao pluralismo político, aos direitos fundamentais e à honra das pessoas atingidas.
Pediu ainda a apuração do possível tratamento irregular de dados pessoais sensíveis referentes à opinião política, do cumprimento das normas da LGPD e a oitiva dos afetados. Também solicitou a adoção de medidas para a preservação de provas digitais e para conter a continuidade das condutas ilícitas, além da responsabilização dos envolvidos nas esferas cível e penal e do encaminhamento do caso a órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).