Patrimônio Imaterial de Petrópolis, festividade cresce a cada ano com acolhimento de comunidades de toda a cidade
A 76ª Festa de São Judas Tadeu obteve enorme sucesso com programação diversificada que acolheu fiéis de toda a cidade e de tradições religiosas diferenciadas para celebrar o santo padroeiro da paróquia da Mosela. Mais de dez mil pessoas circularam durante o período de 14 dias de programação com missas, procissão, concurso Holywins – novidade deste ano, atrações artísticas e gastronômicas promovidas no Burgo Alemão.
Foram consumidos mais de 25 mil itens. O campeão de vendas, como já é tradicional, foi o famoso pastel de São Judas com mais de 5.500 unidades vendidas, seguido pelo bolo do padroeiro que teve saída de quase 3.800 fatias; os demais quitutes como o pão alemão, sanduíches de linguiça e de pernil, doces caseiros, tortas, salgados variados e bebidas, completaram o montante de vendas que será revertido para as obras sociais mantidas pela igreja.
“A festa foi um sucesso, dias felizes e acolhedores nas celebrações religiosas e no convívio social. Vem crescendo a cada ano com programação musical de qualidade e se torna referência na cidade, oferecendo ambiente familiar para todas as idades. A ideia de termos atrações para todos os gostos, como rock anos 80 e 90 e também samba, abre oportunidade para acolhermos um público mais amplo e festa do padroeiro é isso: celebrar com nossa comunidade e pessoas de fora, que recebemos de braços abertos” – destaca padre Lucas Thadeu, acrescentando seu enorme agradecimento aos mais de 200 voluntários que se doaram com tanta alegria, bem como à produção do Instituto Movarte/Dó Ré Mi com sua expertise na área artística.
A presença do Bispo Diocesano Dom Joel Portella Amado para celebrar a missa das escolas no dia do padroeiro, 28 de outubro, com a participação do Grupo Dó Ré Mi, foi muito festejada pelos fiéis. Outro ponto alto da festa foi o Concurso Holywins, que atraiu mais de 30 crianças muito bem caracterizadas com fantasias de santos e personagens bíblicos. A vencedora do 1º lugar foi Cecília, com a fantasia de Santa Cecília, padroeira da música; o 2º lugar ficou com Letícia de Souza, caracterizada de Santa Rita de Cássia; o vencedor do 3º lugar foi Arthur Vieira Tocantins com a fantasia de S. Judas Tadeu. O prêmio para a melhor caracterização foi uma viagem ao Beto Carreiro World, em Santa Catarina, com direito a um acompanhante e todas as despesas pagas. Holy significa santo e wins significa vence – “a santidade vence”; trata-se de uma celebração católica criada como alternativa cristã ao Halloween.
A integração com as comunidades tem crescido bastante. Em 31 de outubro foi comemorado o Dia da Unidade Paroquial, e a Paróquia da Mosela aproveitou o ensejo para disponibilizar vans visando facilitar a participação de idosos e pessoas com dificuldades no transporte para irem à festa do padroeiro.
DE PASTEL EM PASTEL …
“De pastel em pastel a gente vai pro céu” – frase clássica em quermesses lembrada por Felipe Hillen, de 38 anos, que desde criança acompanha a festividade. Ele considera que a ideia de montar o Burgo Alemão “foi extraordinária, já que somos um bairro de colonização alemã”. Sua mãe, Nirley Hillen, de 75 anos, nascida na Mosela, presenciou a construção da Igreja de São Judas e frequenta a festa desde sempre. Relembrou que tudo começou com uma só barraca à frente do salão da igreja e cresceu bastante. Para ambos, os sanduiches de pernil e de linguiça, além do pastel, são os preferidos.
Muitos jovens marcaram presença. Fabiana Vieira Afonso, de 27 anos, voltou este ano para encontrar amigos: “a festa cresceu, está mais social, mais dias de programação, maior diversidade no cardápio e o Burgo Alemão é muito legal, faz parte da nossa identidade”. Amiga de infância de Fabiana, Helena Justen, de 27 anos, quando criança ajudava os pais nas barracas, cresceu no ambiente da festa e agora retorna para aproveitar os quitutes, rever amigos e curtir as atrações.
Há 36 décadas como voluntária, Rosa Maria Justen, de 58 anos, é a responsável pelas compras e confecção do pão do padroeiro. É visível sua satisfação com a atividade que desempenha com imenso amor. Ela conta que é uma receita de pão alemão genuíno, feito pelas voluntárias, sem máquinas nem conservantes, uma das tradições da festa. Cléa Cordeiro, de 84 anos, outra voluntária há quatro décadas, não está nem um pouco cansada de fritar pastéis: “faço com prazer, é gratificante pela saúde que Deus me dá, com paz e união na família”.
Já Ana Maria Moura, de 32 anos, foi pela primeira vez para assistir a sobrinha cantar no Grupo Dó Ré Mi e afirmou: “festa bem organizada, as pessoas são bem receptivas; gostei do salsichão e vou provar mais coisas.”
As atrações foram bastante concorridas. Pela primeira vez na festa, o Cacique de Ramos, vindo diretamente do “templo sagrado de Ramos” abriu o último dia com a roda de samba que lotou o pátio da igreja. Marquinhos do Banjo, em nome da diretoria ressaltou o “legado do grupo que os grandes artistas deixaram” e agradeceu o carinho, dizendo que “o público foi maravilhoso, muito receptivo, ótima experiência!” A Escola de Samba Império de Petrópolis animou a plateia com sambas-enredo e grande elenco de passistas e instrumentistas. Encerrando a festa o Grupo Samba de Mãos Dadas superlotou o espaço levando os pagodes de maior sucesso. O público também curtiu o Grupo Dó Ré Mi com seu show vibrante, canções falando de amor em suas várias versões; a leveza do Grupo Blumemberg Volkstanz de danças folclóricas alemãs; Festival de Talentos dos alunos das escolas paroquiais; Gabriel Silva e banda com sucessos de pop e rock em excelente interpretação; a banda católica Em Nome do Pai contou com audiência de fiéis que cantaram todas as músicas; e outra novidade na programação, a Banda The Rooftops levou os sucessos dos anos 70,80 e 90, colocando o público para dançar.
Foto: divulgação