Durante décadas, o calendário escolar brasileiro foi marcado por datas tradicionais como o Dia das Mães e o Dia dos Pais, refletindo um modelo familiar considerado padrão à época. Com as transformações sociais das últimas décadas, no entanto, esse formato passou a ser questionado por não contemplar a diversidade de arranjos familiares existentes. Em resposta a esse cenário, escolas vêm adaptando suas práticas para se tornarem mais inclusivas e representativas da realidade contemporânea.
O Colégio Koeler, em Petrópolis, é um exemplo dessa transição. Embora mantenha as tradicionais comemorações dedicadas às mães e aos pais, a instituição incorporou ao seu calendário o Dia da Família, uma proposta que amplia o olhar sobre os diferentes núcleos familiares. O evento será realizado no próximo sábado, 11 de abril, com atividades voltadas à integração entre responsáveis e estudantes, incluindo um piquenique colaborativo ao ar livre, oficinas e ações educativas.
A proposta do piquenique reforça o caráter coletivo e afetivo da iniciativa. A orientação é que cada família leve seu próprio lanche, além de itens como canga ou toalha, criando um ambiente compartilhado em que todos contribuem e participam ativamente da construção do momento. A dinâmica simples, mas simbólica, fortalece a ideia de convivência, troca e pertencimento — valores centrais quando se fala em educação e formação social.
A mudança no calendário escolar acompanha uma transformação concreta na sociedade brasileira. Dados do Censo 2022 mostram que, pela primeira vez, as famílias formadas por casais com filhos deixaram de ser maioria no país, passando de 56,4% em 2000 para 42% em 2022. Ao mesmo tempo, cresce o número de lares com apenas um responsável: só as famílias compostas por mães solo já representam cerca de 13,5% do total, somando aproximadamente 7,8 milhões de lares.
O levantamento também aponta o avanço de outras configurações familiares, como pessoas que vivem sozinhas, casais sem filhos e famílias formadas por casais do mesmo sexo, que aumentaram de forma expressiva na última década. Essas mudanças ajudam a explicar por que o modelo tradicional já não representa a realidade de grande parte dos alunos.
Para o diretor do colégio, Raphael Louro, a escola precisa acompanhar essas transformações e atuar como um espaço de acolhimento e respeito. “A escola tem um papel fundamental na formação cidadã das crianças. Quando reconhecemos e valorizamos todas as formas de família, estamos ensinando respeito, empatia e inclusão desde cedo”, afirma. Ele destaca que a proposta do Dia da Família surge justamente da necessidade de criar um ambiente em que todos os alunos se sintam representados, independentemente de sua realidade familiar.
Ainda de acordo com Raphael Louro, a mudança não significa abandonar tradições, mas ampliá-las. “Não se trata de excluir o Dia das Mães ou dos Pais, mas de somar. O Dia da Família vem para garantir que ninguém fique de fora, que todas as crianças possam celebrar quem faz parte da sua vida e da sua história”, pontua.
O evento promovido pelo Colégio Koeler reforça essa perspectiva ao propor atividades conjuntas entre alunos e seus responsáveis, criando um espaço de convivência afetiva e participativa. A programação inclui experiências em áreas como música, capoeira, educação física e oficinas literárias, incentivando o aprendizado compartilhado e o fortalecimento de vínculos.
A abertura das instituições de ensino para essas novas configurações familiares representa não apenas uma adaptação às mudanças sociais, mas também um compromisso com uma educação mais inclusiva. Ao reconhecer a diversidade de lares e histórias, a escola contribui para a construção de uma sociedade mais justa, onde diferentes formas de afeto e cuidado são igualmente valorizadas.
Mais informações sobre o Colégio Koeler podem ser obtidas presencialmente na Av. Koeler, 190 — Centro, Petrópolis/RJ, pelo telefone (24) 2242-0111, no Instagram @ckpetropolis ou no site ckpetropolis.com.br.