A tontura é um sintoma frequente que costuma ser associada, imediatamente, à labirintite, mas nem sempre essa é a explicação. Alterações na coluna cervical, como contraturas musculares, má postura ou desgaste das vértebras, também podem causar desequilíbrio e vertigem. Especialistas explicam como identificar a chamada tontura cervicogênica e de que forma diferenciá-la da labirintite clássica.
Entre os problemas mais comuns que afetam a coluna cervical e provocam tontura estão artrose, hérnias de disco, rigidez muscular e alterações posturais. O uso excessivo de celulares e computadores também é um fator de risco. “O tempo excessivo em frente às telas pode alterar a percepção sensorial do posicionamento da cabeça, causando tensão muscular, dor e incapacidade funcional”, destaca a fisioterapeuta e docente da Estácio, Marina Zebendo.
“A tontura de origem cervical ou cervicogênica acontece por contraturas, tensionamentos musculares ou até por alterações posturais que diminuem o fluxo sanguíneo cerebral. Já a labirintite clássica é causada por um processo inflamatório no ouvido interno”, esclarece a especialista.
Entre os mitos mais comuns sobre a labirintite, a especialista cita a crença de que qualquer tontura é uma crise de labirintite, que alimentos gordurosos provocam o problema ou que atividades com a cabeça baixa desencadeiam necessariamente vertigem.
Segundo o otorrinolaringologista e docente do IDOMED, Rafael Leite Freitas, alterações cervicais podem causar tontura por distúrbios proprioceptivos ou, mais raramente, vasculares. “As labirintopatias são diagnosticadas clinicamente e por meio de alguns exames complementares específicos e não costumam ter como causa doenças diretamente ligadas à coluna, diferentemente da chamada tontura cervicogênica, que está associada a condições como hérnias de disco ou degeneração das vértebras. Nesses casos, o tratamento cirúrgico só é indicado quando há comprometimento neurológico ou falha do tratamento conservador, como fisioterapia cervical e correção postural”, explica.
Avaliação e tratamento
O diagnóstico da origem da tontura envolve uma avaliação detalhada, que pode incluir ressonância magnética, tomografia computadorizada e exames vestibulares. Além disso, o especialista analisa o histórico clínico, sintomas associados, hábitos de vida e realiza exame físico, que inclui testes de equilíbrio, coordenação motora, mobilidade articular e até avaliação da motilidade ocular e do sistema auditivo.
O tratamento inclui técnicas manuais de relaxamento e mobilidade, exercícios de fortalecimento e alongamento, recursos de termofototerapia, reeducação postural e exercícios óculo-vestibulares. “Na maioria dos casos, a melhora é rápida, mas é fundamental orientar o paciente sobre mudanças nos hábitos de vida para prevenir novas crises”, reforça a fisioterapeuta.
Além da fisioterapia e da otorrinolaringologia, outras áreas podem atuar de forma integrada no tratamento, como neurologia, nutrição, geriatria e educação física.
Prevenção no dia a dia
De acordo com Mariana Zebendo, pequenas mudanças podem ajudar a prevenir sintomas: pausas regulares durante o trabalho, exercícios de mobilidade da região cervical, respiração consciente e cuidados com a postura. O estresse e a ansiedade também podem intensificar a tontura, por isso estratégias de relaxamento são recomendadas.