Sistema utiliza ciência de dados e tecnologias abertas para ampliar a capacidade de detecção precoce da doença
Um projeto inovador voltado ao enfrentamento do surto de sarampo de 2025, desenvolvido pelo Centro de Inteligência em Saúde do Rio de Janeiro (CIS-RJ), da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), conquistou o 1º lugar na modalidade Sistemas de Informação, Transformação Digital e Melhoria da Qualidade das Informações em Saúde da 18ª ExpoEpi (Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças), uma das principais vitrines nacionais de experiências exitosas em vigilância em saúde.
O trabalho desenvolveu um protocolo de vigilância ativa para o sarampo que utiliza ciência de dados e tecnologias abertas para ampliar a capacidade de detecção precoce da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando a vigilância mais ativa.
“O CIS tem papel fundamental no acompanhamento de diversas doenças, como o sarampo. Por meio dele conseguimos entender o cenário epidemiológico para subsidiar a adoção de medidas mais assertivas. Alcançar esse nível de análise e filtragem seria inviável sem o apoio da tecnologia”, afirmou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
A iniciativa integra diferentes sistemas de informação e automatiza etapas do monitoramento epidemiológico. O modelo combina análise de exames laboratoriais, mineração de registros clínicos em prontuários eletrônicos e cruzamento de dados entre bases oficiais, permitindo identificar casos suspeitos ainda não notificados.
Na prática, o protocolo já possibilitou a análise de mais de 820 mil atendimentos, com identificação antecipada de pacientes com sintomas compatíveis com sarampo. Esses casos passam a ser acompanhados pelas equipes de vigilância, o que contribui para reduzir o tempo de resposta e aprimorar o controle de possíveis surtos.
“O uso da inteligência artificial permitiu não apenas ampliar a capacidade de monitoramento, mas também reduzir o tempo de resposta diante de possíveis surtos”, disse a superintendente de Informação Estratégica de Vigilância em Saúde na SES, Luciane Velasque.
Desenvolvido em software livre, o fluxo de trabalho também inclui o envio automático de alertas para equipes técnicas e a utilização de painéis interativos para monitoramento em tempo real. A proposta fortalece a integração entre vigilância epidemiológica, laboratorial e assistencial.
Segundo a equipe do CIS-RJ, o protocolo é uma estratégia replicável e de baixo custo, com potencial de adaptação para outras doenças. As rotinas estão disponíveis em repositório colaborativo, garantindo transparência e possibilidade de uso por outras instituições.
A iniciativa reforça o papel dos Centros de Inteligência em Saúde como estruturas estratégicas para inovação, análise de dados e qualificação das respostas do sistema público de saúde.