Por Leandra Lima
A morte de uma mulher em situação de rua, que ocorreu na noite deste domingo (17), após ser esfaqueada na Praça da Inconfidência, no Centro de Petrópolis, expõe o medo dos que convivem ao redor. O sentimento de insegurança está presente nos relatos da população, após um aumento de casos de violência no Centro Histórico, principalmente nesta região.
Além desse episódio, outra morte por facada, que aconteceu no dia 23 de fevereiro de 2025, também em um domingo, em outro ponto próximo da praça, no terminal rodoviário do Centro, envolvendo dois homens também em situação de rua, levantou o debate sobre se Petrópolis é realmente segura. Como aponta o anuário 2025 da plataforma Myside, que considerou o município o mais seguro do Estado do Rio de Janeiro.
Insegurança
Esses dados são rebatidos pelos que convivem nesses espaços dentro da polis. “Isso é tudo mentira. Acontece um monte de coisa. Tem muito roubo aqui, é muito perigoso. Tanto que mataram uma moça na praça. E ali é ao ar livre, porque eles ficam à vontade. Chega uma certa hora que não pode passar, principalmente a partir das 17h”, disse uma fonte anônima, que possui um comércio paralelo à Praça da Inconfidência.
A fonte também percebeu um aumento nessa violência. “Piorou bem. Petrópolis era uma cidade bem calma, em que você podia sair à noite tranquilamente. Agora não. Agora deu 22h, até antes, é bem perigoso”, contou.
Outra fonte, que também tem um comércio ao redor do local, reforça que a população está insegura e se questiona sobre a política de acolhimento de pessoas em situação de rua na cidade.
“Todo mundo está reclamando. A rodoviária está horrorosa. Horrorosa. Eu, por exemplo, tenho medo de ficar lá. Às vezes, esses grupos específicos que ficam na praça ou na rodoviária entram na loja querendo arranjar confusão, pedem dinheiro, ficam atrás dos clientes. Os clientes ficam com medo e vão embora. Mas precisa ter muita sabedoria para conversar, porque qualquer coisa pode virar um gatilho para eles reagirem. Nós, que trabalhamos e temos comércio aqui, precisamos de segurança presente de verdade”, relatou a fonte.
Acolhimento
Em relação ao processo de acolhimento de pessoas em situação de rua, a Prefeitura informou que o acolhimento é oferecido e a pessoa pode aceitar ou não, não sendo obrigatório. “Todo serviço de abordagem e acolhimento tem como objetivo a retomada de vínculos familiares, então, para isso, sempre há uma busca por informações sobre quem é aquela pessoa e o que houve com ela”, informou.
Além disso, a prefeitura realiza abordagens sociais, oferecendo acolhimento no Centro Pop ou no NIS, mas, mesmo assim, a pessoa precisa aceitar, reafirmou a prefeitura.