Por Leandra Lima
Na última terça-feira (14), a Câmara Municipal de Nova Friburgo manteve o veto dado pela Prefeitura ao projeto de lei aprovado na Casa Legislativa que previa nomear a recém-inaugurada Unidade de Atendimento de Urgência e Emergência de Lumiar com o nome da menina Isadora Cardoso, que faleceu aos oito anos em 2025. Na sessão foi aprovado por 8 votos contra o veto e 11 a favor do Executivo.
O Executivo manteve o argumento de que a homenagem não era um consenso na comunidade e sugeriu uma consulta pública, mencionando que associações locais preferiram homenagear uma figura histórica do distrito, o Sr. Dirceu Spitz.
Essa medida da Prefeitura, foi tomada após a Associação de Moradores e Amigos de Lumiar (AMA), encaminhar um ofício relatando que após ouvirem os moradores constataram que há uma parcela da população inserida na comunidade alegando que a escolha realizada não reflete o consenso geral, gerando divergências e insatisfação entre os moradores.
Durante a votação no plenário, os que votaram para o veto foram os parlamentares: Angelo Gaguinho (PL), Bruno Silva (MDB), Carlinhos do Kiko (PL), Cascão do Povo (Podemos), Claudio Leandro (PL), Isaque Demani (PL), Janio de Carvalho (União Brasil), José Carlos Schuabb (União Brasil), Rômulo Pimentel (Podemos), Tia Karla (Republicanos) e Wallace Piran (PL).
Os que tentaram derrubar e assegurar a homenagem à menina Isadora, foram: Cláudio Damião (PT), Evandro Miguel (MDB), Ghabriel do Zezinho (Solidariedade), Joelson do Pote (PDT), Maiara Felício (PT), Maicon Gonçalves (Mobiliza), Marcos Marins (PSD) e Max Bill (MDB).
O projeto que previa homenagear a menina Isadora, foi aprovado na Casa Legislativa por 15 votos a favor e dois contra. Com o veto, Cláudio Damião (PT) que é o autor do projeto, argumentou que a homenagem representava memória histórica, combate ao descaso na saúde e um rompimento com o apagamento sistemático das lutas das mulheres e meninas da região. Familiares e moradores de Lumiar presentes no plenário também protestaram e contestaram as justificativas do Executivo.
“A mesma Lumiar que viu Isadora nascer viu a vida dela ser ceifada precocemente. A Isadora não nos deixou por uma fatalidade inevitável do destino. O que tirou a Isadora de nós foi a falta de socorro médico, foi o erro médico, foi a negligência vestida de jaleco e a omissão de um sistema público falho. E hoje, quando os senhores votam para colocar o nome de Isadora na unidade de urgência e emergência de Lumiar, estamos fazendo um movimento que vai muito além de uma placa de bronze”, disse.
O prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL), inaugurou a unidade no início do mês de maio. Segundo o chefe do Executivo, ao longo dos trabalhos, a prefeitura enfrentou desafios que incluíram atrasos na entrega de equipamentos por parte de fornecedores. Com a inauguração, o vereador Cláudio Damião (PT) propôs o projeto que homenagearia a criança.
A tragédia gerou uma onda de protestos na região, com cobranças por melhorias na saúde do município e pela abertura do posto de emergência, alvo de críticas devido ao atraso nas obras, inicialmente previstas para conclusão em outubro de 2024.
Entenda o caso
A morte de Isadora Cardoso, de apenas oito anos de idade, em dezembro de 2025, acendeu o debate sobre a precarização da saúde no município e trouxe à tona a demora na entrega do posto de Lumiar, onde a menina residia.
Na ocasião, a criança faleceu após ser atendida duas vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Conselheiro Paulino e mandada de volta para casa em ambas as ocasiões. Com a piora do quadro clínico, foi aconselhada a transferência para o Hospital Municipal Raul Sertã, localizado a cerca de 30 km de distância do bairro de origem. No entanto, a ambulância que atendia a região estava com defeito. O trajeto precisou ser realizado no carro da família, mas Isadora não resistiu ao traslado.