Quem acha que os problemas da Comunidade do Gulf, na Região da Coronel Veiga em Petrópolis são apenas devido ao incêndio na garagem das viações Petro Ita e Cascatinha registrado na última terça-feira (09), está enganado. Nesta semana a Prefeitura de Petrópolis divulgou que após o incêndio, a comunidade ficou totalmente desassistida com o transporte público, mas de acordo com a trabalhadora autônoma Magali Pacheco, que mora na localidade, os problemas com os coletivos não são recentes.
“A gente conta com o ônibus e muita das vezes não tem. Eu prefiro sair e voltar para casa a pé, porque mesmo que tenha um horário eles nunca cumprem. Hoje em dia, com a falta de ônibus, a situação só se alastrou. Já aconteceu casos de eu vir dentro do ônibus da Comunidade do Gulf da rodoviária e quando ele chega no começo da rua, o motorista avisou que não iria subir a comunidade, por isso a maioria dos moradores não contam mais com ele para sair”, disse ela.
Ainda de acordo com os moradores, os principais coletivos que vão até a região são interbairros, e cobrem a Comunidade do Gulf, Venezuela e Honduras. A situação piorou ainda mais depois do incêndio registrado nesta semana. Após um plantão cansativo, a técnica de enfermagem Janaina da Silva precisou voltar para casa a pé.
“A gente tem até uma tabela com os horários que os ônibus deveriam circular, mas ela não funciona. Por exemplo, as vezes achamos que o ônibus passará as 06h10 e ele não vem, o mesmo com o 07h20, e no final a gente sempre tem que descer a comunidade a pé. Eles estão tentando organizar os ônibus, mas não tem nada organizado, continuam faltando coletivos. E quando eles aparecem, muitas vezes podem estar quebrados, parece que estamos andando de charrete”, explicou Janaina.
A aposentada Josiane Montes relatou que na quarta-feira (10) a filha dela ficou mais de uma hora a espera de um ônibus para ir para casa. O trajeto do Centro até a Comunidade dura em média 15 minutos. Com medo de ter acontecido algo, nesses momentos, a preocupação se torna um sentimento predominante. “Nós sempre sonhamos com um ônibus para a comunidade, e quando ele chegou ficamos muito felizes. Mas o descaso está sendo muito grande, eles não seguem as regras e quem paga é a população”, desabafou a aposentada.
Além dos problemas relacionados a baixa demanda de ônibus na comunidade, os moradores ainda precisam lidar com as calçadas tomadas pelo mato. E a noite a situação é ainda pior, já que a iluminação da localidade está comprometida.
Os buracos podem ser observados em diferentes trechos da comunidade. Sobre os matos, há trechos da Rua João Macedo e da Rua Alcebiades Lopes em que a vegetação já tomou toda calçada e passaram de dois metros de altura. Já a Servidão Manoel de Oliveira Souza e a Rua Alcebiades Lopes estão com a iluminação comprometida.
Para a terapeuta holística Rosana Maia, a situação é de abandono. Já que foram solicitados os trabalhos e serviços básicos, mas até o momento nada foi feito. “São coisas básicas que poderiam ser resolvidas facilmente, as nossas taxas são contadas e pagas, não esquecemos de pagar mas eles esquecem de entregar o serviço”, disse.
A aposentada Eliana Teresinha, mora na Comunidade do Gulf há 64 anos, e esclarece que no local a maioria da população são idosos e pessoas que possuem a mobilidade reduzida. Ela acrescenta ainda que no final tudo que a população pede são serviços que melhorem qualidade de vida dos moradores. “A única coisa que eu quero pedir é para que os servidores públicos olhem para a gente. Não é todo mundo que consegue descer e subir esta comunidade, que tem disposição igual as pessoas mais jovens. Eu penso muito na terceira idade, e isso tudo que estamos passando é muito complicado”, finalizou Eliana.
Em nota a CPTrans informou que na quarta-feira (10), um ônibus começou a operar na Comunidade do Gulf. A Companhia disse ainda, que a operação está acontecendo de forma emergencial para amenizar os efeitos da crise causada pelo incêndio da terça-feira (9). Equipes da companhia estão nos bairros cujas linhas foram afetadas acompanhando a operação e conversando com moradores sobre o andamento do serviço. Além disso, a CPTrans organiza uma força-tarefa para vistoriar os coletivos e cobra das empresas as condições adequadas para o funcionamento.
Já a Comdep informou que o local está dentro do cronograma de serviços da Companhia, e estará recebendo as intervenções necessárias nos próximos dias, e a secretaria de Segurança, Serviços e Ordem Pública (SSSOP), disse que vai enviar uma equipe para vistoriar e realizar os reparos necessários na iluminação.
A secretaria ainda ressalta que está atuando com equipe reforçada na manutenção da iluminação pública para atender a demanda do município.
Por Gabriel Faxola/ Imagens: Thiago Alvarez