Nascido em Petrópolis, na comunidade do Vale do Carangola, o atacante Luiz Henrique vive o momento mais importante da carreira. Aos 25 anos, o jogador do Zenit Saint Petersburg aparece como um dos nomes mais cotados para a convocação final da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. A lista oficial deve ser divulgada na próxima segunda-feira, dia 18 de maio, pelo técnico Carlo Ancelotti.
Canhoto, veloz e com capacidade de atuar pelos dois lados do ataque, Luiz Henrique ganhou espaço nos últimos meses por suas atuações consistentes e decisivas tanto na Seleção quanto no futebol europeu. Em 13 partidas com a camisa do Brasil, o atacante soma dois gols e três assistências.
Além dos números, o petropolitano tem recebido elogios públicos de Ancelotti e se tornou peça importante no novo ciclo da Seleção.
Do Vale do Carangola para o mundo
A trajetória de Luiz Henrique começou ainda na base do Fluminense Football Club, onde entrou nas categorias inferiores em 2015, no sub-15. O atacante passou por todas as etapas de formação até chegar ao elenco profissional.
As boas atuações no clube carioca abriram as portas do futebol europeu. Em 2022, foi negociado com o Real Betis, da Espanha, onde ganhou experiência internacional e passou a chamar atenção pelo desempenho ofensivo.
Em 2024, retornou temporariamente ao Brasil para defender o Botafogo de Futebol e Regatas. Foi justamente naquele ano que viveu uma temporada considerada histórica.
Copa Libertadores histórica
Luiz Henrique foi um dos grandes protagonistas do título inédito da Libertadores conquistado pelo Botafogo em 2024. Na final contra o Clube Atlético Mineiro, o atacante participou diretamente de dois dos três gols da vitória por 3 a 1.
O petropolitano marcou o primeiro gol da decisão e sofreu o pênalti convertido por Alex Telles, em uma atuação que consolidou seu nome entre os principais jogadores brasileiros da temporada.
Além da Libertadores, Luiz Henrique também conquistou o Campeonato Brasileiro pelo Botafogo, tornando-se ídolo recente da torcida alvinegra.
O desempenho fez o atacante ser indicado para o ataque da Seleção Mundial do prêmio The Best FIFA Masculino, reconhecimento dado após a sequência de atuações pelo Botafogo, Zenit e Seleção Brasileira entre agosto de 2024 e agosto de 2025.
Relação com Carlo Ancelotti
Em entrevista à AFP (Agence France-Presse), Luiz Henrique destacou a importância de trabalhar com Carlo Ancelotti no ciclo da Copa do Mundo. “Trabalhar com ele, para mim, é uma honra. Trabalhar com um cara que já tem uma experiência tão grande, já é vencedor há muito tempo, agrega muito na minha vida profissional e na minha vida pessoal. É um cara que ajuda muito o jogador a evoluir e quero sempre trazer coisas boas para ele do meu futebol, para que eu possa ajudar ele também”, afirmou o atacante.
O jogador também falou sobre a diferença entre atuar sob o comando de Ancelotti e do ex-treinador Dorival Júnior. “Os dois treinadores são excelentes. O Ancelotti está me ajudando, como o Dorival me ajudou também quando ele me convocou para a Seleção brasileira”, disse.
Luiz Henrique ganhou ainda mais destaque após participar da vitória brasileira sobre o Chile, pelas Eliminatórias, no Maracanã. Na ocasião, entrou bem e deu assistência na vitória por 3 a 0.
“Vivo minha melhor fase”
Atualmente no Zenit, da Rússia, Luiz Henrique afirma viver o melhor momento da carreira. A fala reforça o momento de confiança do atacante justamente às vésperas da definição da lista da Copa do Mundo.
Com as lesões de jogadores importantes como Rodrygo e Estêvão, Luiz Henrique aparece como uma das opções mais fortes para ganhar espaço entre os titulares da Seleção.
Apesar disso, o jogador mantém discurso cauteloso. “Claro que eu quero jogar também, quero estar entre os 11. E se ele me escolher para estar dentro de campo, eu vou fazer como eu venho fazendo vestindo a camisa da Seleção brasileira: dando o meu melhor”, afirmou.
Sonho do hexa
Durante a entrevista, o atacante também comentou a pressão em torno da busca pelo hexacampeonato mundial, que o Brasil não conquista há 24 anos. “A gente não pode trazer isso como pressão. A gente tem que trazer isso como motivação”, enfatizou.
Luiz Henrique também revelou a admiração por Neymar, principal referência do atacante desde a infância. Questionado sobre a possibilidade de disputar a Copa ao lado do camisa 10, o petropolitano respondeu de forma direta.
“Eu gostaria. Mas eu não posso decidir isso. Claro que eu gostaria de jogar com o Neymar. Sempre foi uma inspiração de todos. Ele é um cara excepcional, que tem muita qualidade e que eu sempre estava vendo, sempre estou vendo na televisão. A qualidade que ele tem é indiscutível”.
Marco histórico para Petrópolis
Caso confirme presença na lista final de Carlo Ancelotti, Luiz Henrique pode se tornar o segundo atleta nascido em Petrópolis a disputar uma Copa do Mundo pela Seleção Brasileira.
A possível convocação também simboliza o alcance do futebol produzido nas comunidades da cidade, especialmente no Vale do Carangola, onde o atacante nasceu e deu os primeiros passos antes de chegar ao cenário internacional.
Hoje consolidado no futebol europeu e cada vez mais presente na Seleção, Luiz Henrique entra na reta final antes da convocação cercado de expectativa e esperança por parte dos torcedores brasileiros — e, principalmente, dos petropolitanos.
Por Gabriel Rattes