Acolhimento e acompanhamento social ajudam vítima de violência familiar a reconstruir a própria vida
“Aqui encontrei a paz”. A declaração resume a transformação vivida por Maria (nome fictício), de 66 anos, acolhida no Abrigo Cristo Redentor, unidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Após anos sendo vítima de violência física, psicológica e patrimonial dentro da própria casa, ela encontrou na rede estadual de proteção à pessoa idosa o suporte necessário para recuperar a saúde, a autoestima e a vontade de viver. Hoje, Maria faz curso de informática, participa das atividades da unidade, voltou a cuidar da própria aparência e planeja continuar estudando. Uma realidade bem diferente daquela que encontrou ao chegar ao abrigo, quando enfrentava um quadro severo de depressão e profundo desânimo.
– Eu não tinha vontade de viver. Mas isso mudou. É como se eu tivesse nascido aqui de novo. Cheguei muito magrinha e triste. Melhorei da depressão, ganhei peso, recuperei minha saúde e minha vontade de viver – resume.
A história de Maria evidencia a importância dos serviços de acolhimento e proteção oferecidos pelo Governo do Estado a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e violação de direitos. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), mais da metade dos casos de violência contra a pessoa idosa ocorre dentro do ambiente domiciliar (63,3%), sendo filhos ou enteados os principais autores, responsáveis por 31,4% dos registros.
Durante o Junho Violeta, a campanha de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, reforça a importância da denúncia e da atuação da rede de proteção para interromper ciclos de violência muitas vezes invisíveis.
Mais de 1.000 ligações por mês
O Governo do Estado atua na proteção à pessoa idosa por meio de serviços de acolhimento, canais de denúncia, orientação social e articulação com a rede de atendimento, garantindo suporte a pessoas em situação de abandono, negligência ou violência. Na Secretaria de Estado de Juventude e Envelhecimento Saudável, o Disque Idoso 165 recebe mais de mil ligações por mês. Dados apontam que 60% dos chamados recebidos pelo Disque Idoso estão relacionados a casos de negligência, abandono, maus-tratos e violência patrimonial. As demais demandas envolvem pedidos de informação, orientação e acolhimento.
O Estado também avança na proteção dos direitos da população idosa. Sancionada em maio, a Lei 11.195/26 estabelece multas para práticas discriminatórias contra idosos e amplia os mecanismos de responsabilização de quem viola os direitos dessa população. A medida complementa as ações de acolhimento, proteção social e conscientização promovidas durante o Junho Violeta.
Proteção, saúde e recuperação da autonomia no abrigo
Através do acolhimento, da orientação e encaminhamento para a rede de proteção social, o Governo do Estado contribui para interromper situações de violência e garantir o acesso aos direitos da população idosa.
No Abrigo Cristo Redentor, Maria recebeu também atendimento oftalmológico especializado, que permitiu recuperar parte da visão comprometida por um problema na lente de uma cirurgia anterior.
– Quando fiz o procedimento a laser e saí do consultório, vi uma bandeira do Flamengo num prédio. Senti um imenso sentimento de gratidão pelo atendimento que tive – se emociona Maria.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Anderson Coelho, a história demonstra o alcance das políticas públicas voltadas à proteção da população idosa.
– A história da Maria mostra a importância das políticas públicas de proteção à pessoa idosa. Muitas vezes a violência não é registrada porque acontece dentro de casa. Quando uma pessoa idosa chega à rede de proteção, nosso objetivo vai além do acolhimento emergencial. Trabalhamos para devolver autonomia, autoestima e qualidade de vida. É possível reconstruir histórias marcadas pela violência”, afirmou.
Canais de Denúncia
Casos de violência contra a pessoa idosa podem ser denunciados por meio do Disque Direitos Humanos 0800 023 4567, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, ou pelo Disque Idoso 165, da Secretaria de Juventude e Envelhecimento Saudável. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O aplicativo também conta com um botão do pânico, que pode ser acionado em situações de emergência, conectando diretamente o usuário à central 190 da Polícia Militar.
Vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o Abrigo Cristo Redentor oferece acolhimento institucional para pessoas idosas nos três graus de dependência, em situação de vulnerabilidade social, abandono ou violação de direitos. A unidade disponibiliza atendimento multidisciplinar, acompanhamento de saúde, assistência social e atividades voltadas à recuperação da autonomia, da convivência e da qualidade de vida.