Por: Leandra Lima
O município de Nova Friburgo teve uma queda em sustentabilidade fiscal e na saúde, no que se refere à atenção à saúde primária, em 2026. Isso é o que apontam os dados do Centro de Liderança Pública (CLP), ocupando, respectivamente, o 32º e o 33º lugar no ranking estadual, no que diz respeito às modalidades. O recorte considera os municípios avaliados pelo levantamento no estado.
Na questão fiscal, a cidade caiu nove posições em relação a 2025. Entre os indicadores avaliados estão o endividamento e a dependência fiscal. Os maiores gastos foram com despesa de pessoal, que chegou a 55,6%. Esse percentual ultrapassa o limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Em relação aos gastos, o município vem discutindo a aplicação da RCL nas esferas administrativas. Por exemplo, na Câmara Municipal, tramita um projeto que pode ter emendas impositivas vinculadas ao orçamento público, que propõe a fixação do percentual de 0,6% da Receita Corrente Líquida (RCL).
Outro declínio de destaque é na saúde, que caiu cinco posições. O maior gargalo foi na atenção primária, que teve um desempenho de 16,68%. A saúde no município é constantemente alvo de críticas pela fragilidade do sistema.
A morte de Isadora Cardoso, de apenas oito anos, em dezembro de 2025, acendeu esse debate sobre a precarização da saúde no município e trouxe à tona a demora na entrega do posto de Lumiar, onde a menina residia.
Na ocasião, a criança faleceu após ser atendida duas vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Conselheiro Paulino e mandada de volta para casa em ambas as ocasiões. Com a piora do quadro clínico, foi aconselhada a transferência para o Hospital Municipal Raul Sertã, localizado a cerca de 30 km de distância do bairro de origem. No entanto, a ambulância que atendia a região estava com defeito. O trajeto precisou ser realizado no carro da família, mas Isadora não resistiu ao traslado.
Apesar da baixa, o município tem alguns destaques, como estar em segundo lugar no ranking de preservação ambiental, com destaque para a cobertura de floresta natural. Outro ponto é que passa a ocupar o quinto lugar em saneamento, com o maior indicador sendo a cobertura da coleta de resíduos domésticos, que aparece em primeiro lugar. Apesar disso, os entulhos e o descarte irregular são apontados como alguns dos principais problemas do território. Desde o ano passado, a questão do descarte irregular de resíduos e da coleta vem sendo tratada na Casa Legislativa.
A reportagem aguarda um posicionamento da Prefeitura para saber sobre propostas e ações para melhorar os índices.