A campanha do Novembro Roxo busca dar visibilidade a uma realidade que atinge milhares de famílias no país: a prematuridade. O termo caracteriza todo nascimento que ocorre antes das 37 semanas de idade gestacional. Somente no Brasil, cerca de 300 mil bebês prematuros nascem todos os anos, segundo dados do Ministério da Saúde. No ranking mundial, o nosso país é o décimo com maior número de nascimentos prematuros.
“A conscientização a respeito da prematuridade é fundamental devido às possíveis complicações nesses pequenos pacientes que podem ter repercussões duradouras”, explica a Dra. Ana Paula Perié, coordenadora da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Santa Teresa. O caminho para combater essas questões, no entanto, começa muito antes do trabalho de parto, ainda durante o acompanhamento pré-natal.
Segundo a especialista, gestantes que apresentam fatores de risco demandam condutas individualizadas desde o primeiro trimestre. Características como gestantes nos extremos de idade (adolescentes ou primíparas com mais de 35 anos), diabetes gestacional, malformações fetais, infecções, além de alterações na pressão arterial são alguns dos sinais de alerta a serem monitorados durante o pré-natal.
Um dos principais objetivos das equipes obstétricas é monitorar essas pacientes ao longo de toda a gestação e evitar interrupções não programadas. Entre as principais causas de interrupções, a pré-eclâmpsia se destaca com alto índice de gravidade – condição caracterizada pela instabilidade da pressão arterial da mãe. “A pré-eclâmpsia é um fator agravante importante porque coloca em risco a vida da gestante e, por consequência, do feto também. A desordem dos níveis de pressão arterial materna gera risco cardiovascular e hepático à mulher, assim como compromete a função placentária, prejudicando o crescimento fetal”, detalha a médica.
Outro fator relevante, mas frequentemente subestimado, são as infecções subclínicas, especialmente infecções urinárias e bucais, como a periodontite. Estes sintomas não devem ser ignorados pela gestante, já que a maior circulação de micro-organismos e mediadores inflamatórios no organismo pode estimular contrações e o rompimento precoce das membranas. “Qualquer infecção durante a gestação leva a risco de parto prematuro. Esses eventos precisam ser rastreados durante o pré-natal e, para que isso funcione, é preciso melhorar a adesão e o acesso das gestantes aos serviços de saúde”, afirma a Dra. Ana Paula.
O papel da UTI Neonatal e o cuidado humanizado
Nos casos em que o parto prematuro não pode ser evitado, são as UTIs Neonatais e pediátricas que ganham protagonismo ao preservar a saúde dos bebês e das mães, evitando sequelas de longo prazo. “A admissão de um bebê prematuro num ambiente especializado, como o Hospital Santa Teresa, é ponto-chave para o desfecho favorável na condução do tratamento”, completa a especialista.
Paralelamente às inovações tecnológicas, a medicina neonatal também vem apostando na humanização como parte indispensável do tratamento. A prática vai além do afeto e atua diretamente na estabilização clínica do recém-nascido. “Incentivamos a presença dos pais, o contato pele a pele, a realização de manobras de redução da dor frente aos procedimentos, além da integração dos cuidados multiprofissionais e multidisciplinares”, conclui a Coordenadora da UTI neonatal e pediátrica do Hospital Santa Teresa.
Apesar do grande risco à gravidez, prognósticos como estes podem ser facilmente rastreados por exames simples de rotina. Falhas estruturais no sistema de saúde ainda pesam e permitem que casos semelhantes avancem e a prematuridade perdure no país. Portanto, a campanha do Novembro Roxo é fundamental para combater a alta incidência da prematuridade no país, promovendo o monitoramento constante no pré-natal e o cuidado humanizado pós-gestação.