Por Leandra Lima
O registro de candidatura de Joacir Barbaglio, mais conhecido como Joa, para a disputa pelo cargo de deputado federal pelo PSD continua indeferido. Pela última movimentação do processo no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), foi mantida a decisão do Ministério Público Federal (MPF) e acrescentado um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que a condição do parlamentar seja comunicada na página dos candidatos.
“Julgar procedente a notícia de inelegibilidade para, reconhecida a incidência concreta da causa de inelegibilidade prevista na alínea ‘j’ do inciso I do art. 1º da Lei Complementar nº 64/90, indeferir o registro da candidatura de Joacir Barbaglio Pereira para concorrer ao cargo de deputado federal nas Eleições de 2026”, trecho da decisão.
Após essa determinação, a situação da candidatura de Joa aparece como “Indeferido em prazo recursal ou com recurso”. Isso significa que a candidatura não está regular e teve o pedido de registro julgado indeferido. No entanto, há recurso interposto contra essa decisão e aguarda julgamento por instância superior. Ainda cabe recurso.
O candidato é ex-prefeito impugnado de Três Rios. Ele foi condenado por improbidade administrativa por receber e pagar valores indevidos a vereadores enquanto era presidente da Câmara Municipal de Três Rios. Em 2025, deixou o cargo do Executivo trirriense, e quem assumiu o cargo foi Jonas Dico (PSD), após ser eleito com 16.182 (40,19%) votos válidos, na eleição suplementar, que aconteceu no domingo, 5 de outubro de 2025, com a coligação “Três Rios Não Pode Parar”, que uniu os partidos Podemos e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A nova configuração se deu após o TRE-RJ indeferir a candidatura do então ex-prefeito por improbidade administrativa, referente ao período em que ele presidia a Câmara do município.
Na manifestação, consta ainda a condenação do candidato no Recurso Eleitoral nº 0600657-76.2024.6.19.017, relacionado à captação e ao gasto ilícito de recursos. Na ocasião, Joa teve o mandato de prefeito de Três Rios cassado. Esse processo correu no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), onde a Corte votou pela cassação do ex-prefeito de Três Rios e do vice, Jaqueson Martins, por uso ilegal de recursos da campanha eleitoral de 2024, ligados ao pagamento de materiais de campanha conhecidos como santinhos da chapa dos políticos, o que é popularmente conhecido como “caixa 2”.
A decisão partiu de uma representação da coligação adversária “É Por Amor a Três Rios, É Por Você”, do candidato Vinícius Farah, que denunciou a chapa de Joa por utilizar a conta de campanha do Partido Republicanos para contratar serviços gráficos subfaturados.
Pela produção de quase 2 milhões de materiais impressos e santinhos distribuídos na campanha, as notas fiscais registraram o valor de R$ 5.858 pelos itens. Porém, os orçamentos de mercado para essa quantidade ultrapassaram R$ 110 mil, entre 15 e 20 vezes mais do que o apresentado pela chapa do ex-prefeito, que já havia tido o registro de candidatura indeferido por improbidade administrativa, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o município passou por uma eleição suplementar, que definiu o novo chefe do Executivo em 2025, sendo ele Jonas Dico (PSD).
Frente ao caso, Joa disse que as denúncias eram infundadas e tinham apenas motivação política, alegando ainda apoio ideológico da gráfica em que produziu os materiais. A reportagem entrou em contato com Joacir, mas não recebeu uma resposta até o fechamento desta edição.