Encontro sobre arqueologia e preservação no Recôncavo da Guanabara será na terça-feira, dia 29, às 14h. Evento é aberto ao público
A pesquisa histórica desenvolvida durante o processo de conservação e consolidação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro, será apresentada no dia 29 de setembro, às 14h, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro. A atividade integra o encontro “O passado no presente do Recôncavo da Guanabara: arqueologia e preservação em Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Nova Iguaçu”. A entrada é gratuita.
O encontro reunirá pesquisadores e gestores dos três municípios para apresentar experiências de pesquisa, arqueologia e preservação do patrimônio no Recôncavo da Guanabara. A proposta é colocar em diálogo vestígios e documentos que ajudam a compreender diferentes períodos da ocupação e das transformações do território.
A historiadora e integrante da Elysium Sociedade Cultural, Rachel Wider, e o engenheiro e diretor da empresa, Wolney Unes, apresentarão detalhes da investigação realizada em Cachoeiras de Macacu. O trabalho articulou pesquisa documental e análise dos vestígios remanescentes da Igreja de São José da Boa Morte. Ao longo da pesquisa, foram catalogados cerca de 200 vestígios, que contribuíram para identificar materiais construtivos, diferentes etapas de construção, usos do espaço e aspectos da vida da comunidade que frequentava a igreja.
Construída a partir de 1734, a antiga igreja foi erguida em pau a pique e utilizada para batismos, casamentos e sepultamentos. Inserida na antiga freguesia de Santo Antônio de Sá, a construção também esteve relacionada à organização social e religiosa da comunidade. O conjunto é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) desde 1989.
“É muito importante poder apresentar essa pesquisa em uma instituição tão relevante como o IHGB. É uma parceria que vem de longa data e que só fortalece as ações em prol da divulgação acadêmica”, afirma Rachel.
Além de contribuir para a compreensão da história da construção e de seus usos, a investigação permitiu identificar transformações nas crenças e práticas funerárias no Brasil ao longo do século 19 e sua relação com a trajetória da igreja e o processo de seu arruinamento. O estudo foi selecionado para o 10º Colóquio Internacional de História, Arquitetura, Escultura, Urbanismo e Costumes Funerários, promovido pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), em Pachuca de Soto, no México. A apresentação ocorreu no início de setembro.
Para o engenheiro Wolney Unes, professor universitário e diretor técnico da Elysium Sociedade Cultural, a pesquisa demonstra como o trabalho de preservação pode também contribuir para ampliar o conhecimento sobre a história e as transformações sociais relacionadas a um patrimônio.
“É um impacto que vai para além da materialidade daquela área construída e que foi preservada. Ao fazermos as intervenções percebemos vários aspectos importantes e interessantes dessa região, como o processo de ocupação fundiária, de como os sepultamentos eram realizados à época, e também da religiosidade”, afirma.
Diferentes tempos da história da Guanabara
A experiência de Cachoeiras de Macacu será apresentada ao lado de outras duas iniciativas de pesquisa e preservação do patrimônio no Recôncavo da Guanabara. O encontro será mediado pela arquiteta Ana Pessoa, pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa e sócia do IHGB.
A historiadora Marlucia Santos de Souza, coordenadora do Centro de Referência Patrimonial e Histórico do município, abordará o Sambaqui do São Bento, em Duque de Caxias, sítio arqueológico com cerca de 4 mil anos que reúne fósseis e outros vestígios associados aos povos indígenas que ocuparam a região.
O secretário municipal de Cultura, Marcus Monteiro, apresentará a história da Vila de Iguassú, em Nova Iguaçu, criada em 1833, a partir das ações desenvolvidas no Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha e no Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu. Entre os locais abordados estão o marco zero da Estrada do Comércio, o antigo cemitério e a Câmara e Cadeia.
Os casos apresentados abrangem diferentes períodos da história do Recôncavo da Guanabara, desde ocupações anteriores à colonização portuguesa até a formação de freguesias e núcleos urbanos no século 19, passando por processos relacionados à produção agrícola, ao trabalho escravizado, à circulação de pessoas e mercadorias e à expansão das atividades econômicas na região.
Serviço
O passado no presente do Recôncavo da Guanabara: arqueologia e preservação em Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Nova Iguaçu
Data: 29 de setembro de 2026
Horário: 14h
Local: Cephas-IHGB
Formato: presencial
Entrada: gratuita
Realização: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e Elysium Sociedade Cultural
Foto Divulgação / Igor Holderbaum