Mais do que uma medida preventiva, a vacinação na população idosa se tornou uma estratégia essencial de proteção à vida. Com o avanço da idade, o organismo perde parte da capacidade de resposta imunológica, o que aumenta significativamente o risco de agravamento de doenças infecciosas.
“Quando a gente fala de idoso, a vacinação deixa de ser só prevenção, ela passa a ser uma estratégia de proteção de vida mesmo”, afirma o enfermeiro e professor do curso de Enfermagem da Estácio, Julio Eduvirgem. Segundo ele, entre as principais vacinas recomendadas estão a influenza, com aplicação anual, os reforços contra a Covid-19, além das vacinas pneumocócica, dT (difteria e tétano) e, em alguns casos, hepatite B. Segundo o especialista, manter o calendário em dia contribui diretamente para evitar complicações, reduzir internações e preservar a autonomia dos idosos.
“O organismo demora mais para reconhecer o vírus, produz menos anticorpos e tem uma resposta menos potente”, explica o professor. Isso não significa, continua ele, que a vacina não funcione, mas reforça a necessidade de doses periódicas. “Não é que a vacina não ‘pegue’ no idoso. É que o organismo precisa de mais estímulo para se proteger bem”.
O enfermeiro explica que as vacinas funcionam como um treinamento para o sistema imunológico. Ao entrar em contato com versões inativadas ou fragmentos dos agentes infecciosos, o organismo aprende a reagir e cria memória imunológica. “O mais importante é entender que muitas vacinas não evitam 100% a infecção, mas reduzem muito a gravidade. É isso que faz diferença na prática”, destaca.
Na população idosa, esse efeito é determinante para evitar hospitalizações e mortes, especialmente em doenças como gripe, Covid-19 e pneumonia. Por isso, explica o professor, a ausência da vacinação expõe o idoso a riscos considerados evitáveis.
Segundo Eduvirgem, a gripe, muitas vezes subestimada, pode evoluir para pneumonia. A Covid-19 segue em circulação, com maior risco de agravamento nessa faixa etária. “Já a pneumonia permanece como uma das principais causas de hospitalização entre idosos”, alerta.
Com a chegada do frio, a tendência é de aumento dessas doenças, o que reforça a importância da prevenção por meio da vacina.
Mitos e verdades sobre vacinação
Entre os principais desafios para a vacinação estão dúvidas e receios comuns entre os idosos. “A gente escuta muito: ‘tomei e fiquei gripado’, ‘preciso tomar de novo?’, ‘vacina faz mal?’”, relata o professor. Nesse contexto, o papel da enfermagem é fundamental, especialmente no acolhimento, na escuta e na orientação em linguagem acessível.
Diante da circulação de informações desencontradas sobre vacinação, é preciso desmitificar crenças equivocadas, que ainda são um dos principais obstáculos para a adesão às campanhas, especialmente entre idosos. Essas percepções podem levar ao atraso ou à recusa da vacina, aumentando o risco de complicações, internações e até mortes por doenças evitáveis.
Para o professor Julio Eduvirgem, esclarecer essas dúvidas é fundamental para transformar informação em cuidado. Ele destaca alguns dos principais mitos e verdades sobre o tema:
“Vacina da gripe causa gripe”
Mito: A vacina é feita com vírus inativado e não provoca a doença.
“Se fiquei doente depois de vacinar, não funcionou”
Mito: Ela reduz a gravidade, mesmo quando não evita totalmente a infecção.
“Só preciso me vacinar uma vez”
Mito: Algumas vacinas exigem reforços, principalmente em idosos.
“Vacina faz mal”
Mito: Eventos graves são raríssimos e o risco da doença é muito maior.
“Idosos precisam mais de vacina que jovens”
Verdade: Risco de complicações é significativamente maior.
“Gripe não é resfriado”
Verdade: A gripe costuma ter início súbito, febre alta e dores intensas no corpo, com maior risco de complicações. Já o resfriado apresenta sintomas mais leves, como coriza e espirros, com evolução geralmente tranquila.