A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) vai adequar a infraestrutura viária do trecho da BR-040, onde está previsto a ligação direta entre os bairros Bingen e Quitandinha. O anúncio ocorreu após recomendação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), para que o município adote medidas de segurança e participação popular antes do teste viário na região. A companhia ressaltou que além das adequações estão previstos outros procedimentos que envolvem melhorias e fiscalização.
O MPRJ expediu a recomendação, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Petrópolis, para garantir segurança, transparência e participação popular antes da realização de um teste operacional na BR-040. Segundo o documento, a nova faixa pode afetar diretamente as comunidades no entorno, especialmente das localidades Amazonas e Parque São Vicente. O Ministério Público ressaltou a necessidade de respeitar os direitos dos moradores ligados à mobilidade urbana segura, à infraestrutura adequada e ao bem-estar coletivo.
Moradores preocupados
O MPRJ apontou, na audiência pública realizada no dia 04 de março, que os moradores dos bairros mencionados, relataram problemas estruturais na região que podem agravar com o aumento do tráfego, como por exemplo a questão crônica com a pavimentação deteriorada, ausência de calçadas e a precariedade delas, falta de iluminação pública e sinalização. Outra preocupação da comunidade é a segurança das crianças que ali transitam e dificuldades de circulação em situações de emergência.
Por conta da situação, o órgão entende que o teste operacional deve ocorrer após a adoção de medidas mínimas de segurança viária e melhorias na infraestrutura urbana do trecho.
Esperança de alguns
A conexão entre Bingen e Quitandinha representa para uma parcela popular um equilíbrio no tráfego, ainda mais para aqueles que utilizam a rota para ir e vir do trabalho. O Movimento Empresarial Petrópolis 2030 informou que com a ligação seriam 18 mil veículos a menos acessando o Centro Histórico.
Para o vendedor Pedro Silveira, que trabalha no Bingen, a nova via diminuiria em menos da metade o tempo de volta para casa após o trabalho. “Quando vamos de casa para o trabalho levamos cerca de 15 minutos da Coronel Veiga ao Bingen, pela BR. Em contrapartida, na volta, levamos 40 ou mais”, disse.
A doméstica Sirlene Severino acredita que a nova rota auxiliaria para que ficasse menos tempo dentro do ônibus. Segundo ela, o coletivo público (180), que circula entre os dois pontos, demora cerca de 30 a 40 minutos entre a rota, podendo demorar mais por conta do trânsito. “Acho válido um novo caminho que facilite a vida do trabalhador. Passamos a maior parte no serviço, e isso conta nosso deslocamento, são quase 40 minutos dentro de um ônibus”, contou.
O que deve ser feito
O município deve apresentar um estudo técnico completo com dados sobre contagem de veículos, velocidade média, possíveis gargalos e riscos viários, além de análise do impacto na vizinhança, após o teste. O documento deverá ser divulgado de forma transparente e debatido em nova reunião pública.
Além disso, a Prefeitura tem que analisar formalmente, no prazo de 15 dias, uma proposta alternativa apresentada por moradores do Parque São Vicente, que prevê a implantação de uma rotatória no local. Segundo o MP, caso os estudos indiquem que a inversão de faixa é inviável, a CPTrans deverá comunicar oficialmente a desistência da medida e apresentar os resultados.
A Prefeitura também deve atender as comunidades afetadas com intervenções que promovam a melhoria. Essas ações devem ser concluídas antes de qualquer teste operacional.
O que diz a Prefeitura?
Diante do exposto, o Executivo por meio da CPTrans informou que já vem conduzindo um diálogo permanente com a população e acompanhamento dos órgãos de controle. E explicou que o plano de implementação da ligação Bingen-Quitandinha prevê um conjunto de ações voltadas à segurança e à organização do trânsito, que foram apresentadas aos moradores durante a audiência pública.
A Companhia destacou que a fase experimental tem o objetivo de permitir a avaliação técnica do funcionamento da medida em condições reais de tráfego, com acompanhamento permanente das equipes de trânsito. “A Prefeitura e a CPTrans reforçam que todas as recomendações apresentadas pelos órgãos de controle serão analisadas com a devida atenção e que o projeto seguirá sendo conduzido com responsabilidade, priorizando a segurança viária, a mobilidade urbana e o diálogo contínuo com a população”, disse em nota.